Publicado em: 19/08/2016 12h53 - Atualizado em 19/08/2016 16h52

A arquitetura como testemunha "ocular" da História - parte 1

Carlos Gustavo Nóbrega de Jesus é superintendente da Fundação Pró-Memória e Doutor em História Cultural e Pesquisador da Unicamp/IFCH

Nos próximos artigos publicados aqui gostaria de salientar um dos últimos pontos que justificam o tombamento histórico da Fazenda Cachoeira do Jica: a particularidade arquitetônica de sua construção.
De acordo com que vimos na documentação, o Jica, José de Almeida Prado, por meio de sua Fazenda foi um dos principais produtores de açúcar da região. Assim não é demais aventar a hipótese que a Fazenda Cachoeira do Jica foi uma das protagonistas do ápice da produção açucareira, em 1854, quando também começa a se desenvolver a produção cafeeira na região. A riqueza do açúcar, provavelmente, foi a responsável pela beleza imponente da casa sede, situação um tanto comum no que se refere às residências rurais dos grandes produtores açucareiros, como afirma Vladimir Benincasa (2001, p.136): "O ciclo da cana-de-açúcar havia provocado um razoável enriquecimento em suas cidades, se comparadas com as de outras regiões paulistas, e mesmo as casas rurais, existentes nos engenhos, já demonstravam esse requinte alcançado. Suas paredes de taipa de pilão e de mão, a volumetria o ritmo das envasaduras, as características tradicionais de sua planta, sua imensa sala de jantar, medindo 5,85m de largura por 23,40m de comprimento, e o fato de toda casa ser assoalhada, menos a cozinha e as dependências de serviço, que são forradas de lajotas e granito irregular" (LEMOS,1999, p. 224), são evidências de um programa tradicional das casas do ciclo açucareiro. Com a chegada do café, "paulatinamente, os engenhos foram sendo desativados e as propriedades transformadas. Mas, as casas de residência, continuaram as mesmas e seus proprietários também" (LEMOS, 1999, p. 206).
A adaptação dos antigos engenhos à lavoura cafeeira deu-se de forma tão harmoniosa, com relação ao conjunto de edificações já existentes, "que apenas através de documentação antiga se pode constatar que tal acomodação foi feita, e que a fazenda não tenha tido como função inicial a cafeicultura" (BENINCASA, 2001, p. 133). Situação que levou erroneamente à especialistas como Carlos Lemos definir a sede da Fazenda do Cachoeira do Jica como representante do ciclo cafeeiro da bacia do Tietê, sendo originária da segunda metade do século XIX (cf. LEMOS, 1999, p.223-224).
Se tais evidências confirmarem nossa hipótese, a Fazenda Cachoeira do Jica, juntamente com Fazenda Engenho d'Água e a Fazenda de Taipas em Itaici, constituem uma importante tríade que nos possibilitam colocar Indaiatuba na rota das principais regiões de produção açucareira do Estado de São Paulo dos XVIII e começo do XIX.

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