Publicado em: 17/11/2016 17h44 - Atualizado em 18/11/2016 19h57

As lições de Tite

Marcelo Veras
Depois da morte do Senna, a Fórmula I virou uma coisa sem graça para mim. A ausência de um grande piloto brasileiro, para mim, tirou a graça do esporte. Já no futebol, depois das duas últimas Copas do Mundo também parei de empolgar, bem como boa parte dos brasileiros. Uma combinação de jogadores descomprometidos, metidos a estrelas, com salários de leão e empenho de gatinho, técnicos ruins e escolhidos sem critério de meritocracia, só podiam produzir o que produziram - fracassos e mais fracassos. Andei trocando jogo da seleção quase por qualquer coisa.
Porém, assim como espero ansioso pelo surgimento de um grande piloto brasileiro na Fórmula I, a seleção brasileira de futebol está ressurgindo das cinzas. O último jogo do Brasil contra a Argentina foi o retrato mais claro de que um grande líder consegue fazer uma enorme diferença. Olha, aquele jogo foi um divisor de águas para mim e para muitos brasileiros, não só pelo chocolate de 3 x 0 nos hermanos. O momento mais marcante foi o de um dos gols do Brasil, quando Tite sai correndo feito louco do banco na direção dos jogadores para comemorar. Aquilo foi, ao mesmo tempo, engraçado e muito simbólico. Aliás, como sempre digo, as pessoas se mostram nos detalhes. E esse detalhe diz muito sobre o que esse cara está fazendo com os jogadores, sendo que a maioria ali é a mesma e que só fazia feio com o técnico anterior. Pode ser que o Brasil nem ganhe a próxima Copa, mas essa nova liderança está mostrando que é possível resgatar um orgulho de um povo na sua seleção.
A pergunta é: que lições os gestores podem tirar desse momento do futebol brasileiro? Na minha modesta visão, muitas. A começar pelo poder que um grande líder tem de mobilizar uma equipe. Uso este exemplo para, mas uma vez, dizer o óbvio. A essência da liderança está na capacidade de montar uma equipe com os melhores? Sim, mas não só isso. É preciso criar as condições para que cada um dê o seu melhor, visando sempre o resultado do time. E isso se consegue, entre outras coisas, dando o exemplo, sofrendo e vibrando com a equipe. Engajar não é uma tarefa fácil, é necessário um objetivo claro, muito trabalho, comunicação assertiva e um ambiente onde impere a meritocracia, o respeito e o senso de equipe. Com esses ingredientes, o sucesso pode estar a caminho. Sem eles, nem com reza.
A corrida do Tite (se não viu, busque na internet. Vale a pena) é mais que uma comemoração, é uma demonstração de comprometimento com aqueles que são os maiores responsáveis pelo sucesso de um grande gestor - o seu time!
*Marcelo Veras é presidente da Inova Business School e especialista em Gestão de Carreiras

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