Publicado em: 01/12/2016 17h39 - Atualizado em 02/12/2016 21h14

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Marcelo Veras
Minha mãe sempre me dizia que dar é muito melhor do que receber. Desde cedo, portanto, desenvolvi um sentimento muito forte de doação. Sempre gostei muito de doar. Doar apoio, presente, carinho e conhecimento. Olhar a expressão de felicidade de uma pessoa ao receber algo dado por mim sempre foi um prazer indescritível.
Quando comecei a trabalhar em uma multinacional no início da minha carreira, conheci pessoas bem antagônicas. O Sergei, meu amigo até hoje, que me apoiou muito quando cheguei a Santa Cruz do Sul e que me ensinou tudo o que sabia sobre a ferramenta Excel. A Tânia Garibaldi, que foi uma grande amiga e que doava toneladas de amor e cuidado aos seus amigos e familiares. Mas conheci também o Neto (nome fictício), que dizia abertamente que não ensinava o que sabia porque isso era a sua garantia de emprego. Pobre coitado, o seu conhecimento "vitalício" virou pó quando a empresa comprou um software de gestão e ele perdeu o emprego no outro dia. A demissão dele, tamanho o seu egoísmo, foi comemorada por todos como uma final de campeonato.
E eu fui tocando a minha carreira, sempre com a minha convicção de que o mundo e as relações são quase uma conta corrente. Quanto mais a gente dá, mais recebe. Quanto mais ajudamos, mais as portas se abrem. Nunca dei a isso nenhuma conotação religiosa, mas realmente passei a ter isso como uma doutrina. "Tenho que dedicar uma parcela do meu tempo para compartilhar o que sei".
Há três anos criamos um workshop gratuito para jovens executivos. De lá pra cá, nove edições, sempre com casa cheia. Neste ano decidi criar o minicurso gratuito chamado "Jovens educadores". Queria dar dicas para quem ainda não se formou ou está batalhando nos primeiros cinco anos de carreira em Educação. Numa manhã de sábado (bem quente, por sinal), ficamos três horas discutindo a carreira em Educação. Ao final, uma fila de pessoas para apertar a minha mão e agradecer. Respondi a todos com a mensagem "sou eu que agradeço". Na verdade, esse é o meu sentimento genuíno. Tenho tanto, mas tanto prazer em compartilhar o que sei, que agradeço a quem me dá essa oportunidade.
Tenho pensado muito nisso recentemente. Estamos vivendo um momento histórico importante e com muitos desafios. A política precisa de renovação. As empresas precisam de renovação nos seus quadros de liderança. O mundo precisa de renovação nas suas bases. O egoísmo chegou ao limite. Nas empresas, nas famílias e, principalmente, na política corrupta. O balde encheu e todos estão fartos de chefes, políticos e pessoas que só pensam neles.
Nos meus dez anos de estudos e pesquisas sobre gestão de carreira, não tenho mais nenhuma dúvida de que os doadores crescem mais e vão mais longe. Quem compartilha o que sabe, ajuda os outros a crescerem, apoia e desenvolve as pessoas da sua equipe e faz isso com entrega, fazendo a diferença.
Portanto, hoje deixo uma pergunta e um convite. A pergunta é: O que você tem de conhecimento e pode compartilhar? E o convite é: compartilhe, sem medo ou receio. Compartilhar o que sabe não vai lhe tornar mais fraco e vulnerável, e sim mais forte, respeitado e admirado. Até o próximo!

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