Publicado em: 01/12/2016 17h31 - Atualizado em 02/12/2016 11h14

HOMENAGEM

Recordando Indaiá
Passeando pela cidade,
Me recordo do locais no tempo,
Quais vivi e cresci,
Que vi ao passar dos anos progredir,
Que o progresso mudou
OU que o tempo apartou
E assim ao me reminenciar
Me recordo do Mandrião
Ao lado da estrada de ferro,
No leito do rio Jundiaí,
Lá pelas terras de Itaici.
Muitas pescarias, natação e mortes,
Para os incautos da sorte.
Da estação ferroviária,
Hoje museu, na velha praça Newton Prado,
Com o movimento dos trens e passageiros,
Burburinhos, máquinas fumegantes, ruídos grosseiros.
O congestionamento dos apitos,
A correria, o sinal, os agitos.
Dos trens da Sorocabana,
Rolando nos velhos trilhos,
Com seus apitos altos anunciavam-se aos passageiros,
Outras vezes vagarosos e pesados cargueiros.
Quantas vezes na inocência de menino em súbita ilusão,
Desconhecendo o perigo, correndo em alcançar,
O último vagão.
Do antigo velho pontilhão.
Unindo os trilhos sobre a rua.
Quando menino me postava sob ele,
Observando o comboio, o ruído dele.
Imaginando em minha inocência infantil
Em fértil imaginação,
Suportará o mesmo, aquele duro ardil.
Do Córrego Belchior,
Cruzando o campo ao fundo da estação,
Onde a molecada as escondidas dos pais,
Caçavam, nadavam, traquinavam,
Escondiam-se dos fiscais.
Temiam ter as roupas levadas,
As gaiolas confiscadas e a palmadas.
Das velhas romarias.
Quanta festa aos seus dias antecedentes.
Pedestres, bicicletas, cavaleiros, charretes com fé seguiam.
O povo os aguardava na saída.
Na chegada com alegria os aplaudiam.
Os pedestres com suas velas acesas vinham a frente, ciclistas na sequência.
Fechando as charretes e os cavaleiros com imponência.
Dos circos na Praça Rui Barbosa.
Robatini, Norte Americano, Irmãos Almeida e outros.
Senhoras e senhores, garotada, esse é o primeiro sinal.
E assim ansiosos, aguardávamos o segundo, o terceiro finalmente.
Inicia-se assim mais um grande espetáculo, um sonho sob as lonas acalentes,
Balas, palhaços, trapezistas, globo da morte, equilibristas.
Extasiados com os mágicos e as belas contorcionistas.
Do parque Bela Vista,
Sempre no final do ano sendo armado na mesma praça.
Dia a dia observava sua montagem com expectativa,
O largo adquiria uma alegria emotiva.
Roda gigante, martelo de força, balanços, cavalinhos e a Ave Maria.
Da praça Prudente as Caneleiras
Sempre a mesma romaria.
Da antiga festa das nações,
Sempre na querida praça do São Benedito.
Local dos grandes eventos da minha indaiá pequena irmã,
Das etnias Japonesa, Italiana, Suíça - Alemã,
Uma tradição que resistiu ao tempo,
Resistiu ao esquecimento,
Envolvendo novas e velhas gerações, vibrante acalento.
Do velho Bueirão
Sob os trilhos da Sorocabana.
Poucas vezes me aventurei naquele local,
Conhecido como lago do trilho inteiro,
Jazia pois sob as águas turvas sempre traiçoeiro.
A garotada precavida atentava à cautela
Certamente atitude escusa e incauta sem ela.
Do majestoso e saudoso cine Rex
Monumental enquadrado ao espelho da praça Prudente.
Relembrar suas matines aos Domingos acirra a saudade,
Como esquecer Zorro, Carlitos, Deusa de Jova,
São pingos de felicidade.Recordar seus dois decks elevados,
Cujos assentos na intimidade eram disputados.
Das procissões de Corpus Christie,
Subindo pela rua Candelária e descendo pela XV
Representando a fé ao corpo de Deus o povo seguia,
Ruas decoradas com serragens coloridas, desenhos bíblicos, tampinhas prateadas,
Cantando hinos louvados, orando com bandeiras hasteadas.
Uma espécie de fila ondulante, tão harmônica como um balé,
A frente em vestes papais um sério padre Claret.
Do Hospital Augusto de Oliveira Camargo, o Augustão,
Apanhando coquinho, jataís, mangas no pé.
Escondendo-nos nas próprias árvores mangueiras,
Amedrontados e trêmulos com as sérias freiras,
Ás vezes pegos, às vezes não.
Na vivacidade de garotos fugíamos,
Com as mangas todas pelo chão.
Ao relembrar por fim a pequena Indaiá,
Antes Cocais e Votura, volto a ser menino.
Hoje já um senhor me orgulho de sua pujança,
Mas tão querida e amada enquanto criança,
Essa grande Indaiá da cultura e progresso, auguro.
Orgulho dos seus filhos,
No passado, no presente, no futuro.
Por fim recordar-me de muitos e inesquecíveis lugares,
Impossível descrevê-los todos em poesia,
Mas possível relembrá-los todos em pensamentos.
*Por Juarez A. Mingorance Steffen, professor, radialista, poeta de caderno (28/3/2010 a 26/4/2010)

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