Publicado em: 03/02/2017 09h52 - Atualizado em 03/02/2017 21h27

Palavrite

Marcelo Veras
Carlos é um profissional competente e experiente. Em função da crise, perdeu o emprego em 2016. Uma grande empresa do setor em que tem muita experiência o chamou para uma entrevista. Ele bateu um papo com o presidente, que disse que gostou muito da conversa e que ele deveria voltar para conversar com outro diretor. De conversa em conversa, o Carlos voltou à empresa cinco vezes, cada uma delas para conhecer e conversar com uma pessoa diferente. Foi ficando animado e dando como certa a sua contratação. Depois disso, nunca mais foi contatado. Ninguém mais (nem o presidente) respondeu seus e-mails. Como se todos tivessem morrido ou sido abduzidos por ETs.
Recentemente eu iniciei, a pedido de uma pessoa, uma conversa sobre um projeto conjunto entre nossas empresas. Fizemos umas cinco reuniões para discutir pontos de convergência, desafios e oportunidades complementares, até que chegamos a um projeto inicial com ganho para ambos. Montamos um cronograma e dividimos as responsabilidades. Estabelecemos um prazo de uma semana para enviarmos o que cada um ficou de fazer. Enviei o meu documento na data combinada e, há exatos três meses, o cara sumiu e não falou mais nada, de novo, como se tivesse morrido ou sido abduzido por alienígenas.
Outra pessoa fez uma reunião comigo e apresentou um projeto fantástico. Trata-se de uma pessoa muito competente e ambiciosa, características que adoro. Até hoje... lá se vão seis meses. O mais "legal" é que de vez em quando eu encontro com a pessoa. Nós nos cumprimentamos, conversamos e o assunto parece que não existe. Até me perguntei: "Será que eu sonhei com essa conversa e ela não existiu?"
Escreveria um livro de 600 páginas só com casos como este (livro que, decerto, ninguém iria querer ler!). Confesso, com toda sinceridade, que tenho dificuldade de entender o fenômeno. Tanto é que, em uma dessas conversas com meu amigo Max, batizamos essa doença de "palavrite". Isso mesmo: Palavrite! É uma inflamação aguda na palavra. Aqueles que sofrem desta doença crônica (e são muitas pessoas) também cometem palavricídios, ou seja, um assassinato da palavra que sai da sua boca. Em outras palavras, quem sofre disso, não merece nenhuma confiança, porque diz ou promete algo e, minutos depois, realiza uma cirurgia de lobotomia e esquece o que falou. É cômico, se não fosse trágico.
A primeira competência comportamental que trato com meus alunos nas minhas aulas de planejamento de carreira é exatamente esta - Confiabilidade. "Fala o que faz e faz o que fala". Tão simples e, ao mesmo tempo, tão rara atualmente.
Sigo colecionando casos como os três que citei e batendo nessa tecla como um papagaio. Muito cuidado com o que você fala ou promete. Se falou, faça. Se prometeu, cumpra. Se não pode cumprir, não prometa. Não sofra de palavrite. Essa doença destrói a sua imagem, gera insegurança e desconfiança de todos para com você. E tem mais, fuja de pessoas que sofrem dela. Elas só nos fazem perder o nosso tempo, que vale ouro. Um abraço e até o próximo!
*Marcelo Veras é presidente da Inova Business
School e especialista em Gestão de Carreiras

Veja Também:

Comentar


Mais lidas
Filmes em cartaz
  • O CHAMADO 3
  • TOC - TRANSTORNADA, OBSESSIVA, COMPULSIVA
  • ESTRELAS ALÉM DO TEMPO
  • ATÉ O ÚLTIMO HOMEM
  • RESIDENT EVIL 6: CAPÍTULO FINAL
  • QUATRO VIDAS DE UM CACHORRO
  • A BAILARINA
  • BELEZA OCULTA
  • LA LA LAND - CANTANDO ESTAÇÕES
  • TRIPLO X - REATIVADO
  • MOANA - UM MAR DE AVENTURAS
  • MINHA MÃE É UMA PEÇA 2
  • CAPITÃO FANTÁSTICO