Publicado em: 10/02/2017 13h25 - Atualizado em 10/02/2017 21h03

O Museu de Território e novas experiências de gestão patrimonial

Carlos Gustavo Nóbrega de Jesus é Superintendente da Fundação Pró-Memória e Doutor em História Cultural e Pesquisador da Unicamp/IFCH

No último mês de 2016, fui convidado para falar sobre o processo de preservação do bem tombado, Casarão Pau Preto de Indaiatuba, no Colóquio Internacional de Arquitetura Popular no Instituto Internacional de Lisboa, algo inédito para Indaiatuba e para a Fundação Pró-Memória. Além do reconhecimento internacional de nosso trabalho, percebi que, também, seria uma boa oportunidade de buscar nas experiências externas, exemplos de gestão patrimonial que pudessem melhorar ainda mais nossa prática.
Poucos meses antes tinha tido contato com a experiência de preservação de Paraty, na qual a Casa Azul, mesmo órgão que organiza a Flip, propôs algo inovador na preservação da cidade histórica, colocando em prática o conceito de Museu de Território. Tal proposta de gestão se singulariza por dois fatores. Primeiro, enxerga todos os bens materiais e imateriais, como acervo museológicos, ou seja, a arquitetura da cidade e as práticas culturais que singularizavam a cultura local, são vistas como "peças" de um mesmo Meta-Museu territorial.
Segundo, o processo de preservação se deve dar a partir da participação social da comunidade, ou seja, cabe a sociedade, não somente ajudar e a elencar o que deve ser preservado, mas também, deve ser alvo do processo de preservação, por meio de suas experiências sociais e práticas culturais. Para tanto deve ter incentivo sustentável dessas práticas e de seus lugares de memória, podendo-se pensar numa preservação sustentável.
Logicamente que, no que se refere à Paraty, tal prática está longe do ideal, mas só de propor tal inovação já se destaca dentre as propostas preservacionistas brasileiras. Nesse mesmo sentido pode-se destacar, também, o projeto Museu de Favela no complexo da comunidade de Cantagalo, no município do Rio de Janeiro. Mas foi em Paraty que me indicaram que o exemplo mais bem-acabado de tal proposta estava ao Sul de Portugal, fronteira com a Espanha, na pequena Vila Museu de Mértola, região de Alentejo.
Nessa mesma região de Alentejo, descobri que Évora também preservava um importante trabalho nesse sentido, juntamente com a Universidade da cidade. O acaso me fez, após seis meses, ser convidado para estar em Portugal, eu sabia que não poderia desperdiçar a oportunidade, talvez única de tentar entender tal proposta e talvez poder adaptar para nossa realidade, aproveitando o já histórico envolvimento da comunidade com a preservação do patrimônio cultural da nossa cidade. Como se deu tais experiências, trocas de conhecimentos e como pretendemos adaptar tudo isso na gestão da memória local, serão os temas dos próximos artigos que gostaria de compartilhar com vocês, meus leitores, nessa coluna.

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