Publicado em: 08/03/2017 15h40 - Atualizado em 20/03/2017 10h14

Cegueira de imagem

Marcelo Veras
E a nossa série sobre "cegueiras" ganha mais um capítulo. Estou gostando de abordar o tema e apontar as várias faces desse problema de visão que impacta negativamente a carreira e que poderia ser evitado. Hoje, tratarei de um dos tipos mais comuns - a cegueira de imagem. Para início de conversa, vamos qualificar a discussão. Gosto de encarar a questão da seguinte forma: identidade é como me vejo. Imagem é o que projeto no mercado, ou seja, como as pessoas me veem. Simples, não? Quando me olho no "espelho" vejo uma coisa, mas não necessariamente as pessoas enxergam em mim essa mesma coisa. Esse hiato é a causa mais comum que leva profissionais a não entenderem o porquê de a sua carreira não decolar, ou por qual motivo não foram escolhidos para uma promoção, ou, no pior dos casos, por qual razão foi demitido. Nós tendemos muito a ignorar o que pensam de nós, como se isso não fosse ter nenhum impacto na nossa carreira ou na nossa vida. Mas tem, e muito. Quando não conhecemos qual tipo de imagem nós projetamos no mercado, ficamos como um navio à deriva, sem saber muito bem para onde estamos indo e nem o porquê.
Uma constatação clichê, mas que cabe muito bem aqui: uma boa imagem demora anos para se construir e segundos para se destruir. É como uma taça de cristal, difícil de fazer e fácil de quebrar. Com a nossa imagem profissional é a mesma coisa. Não se constrói uma boa imagem com pares, superiores, subordinados e com o mercado em geral do dia para a noite. É necessário muito trabalho, muito empenho, muita dedicação e, principalmente, muita coerência entre discurso e prática. Mas um fato negativo grande ou uma série constante de pequenos fatos podem destruir o que se levou anos para construir. Já vi (e vejo todo dia) os dois casos. Pessoas que conseguem destruir a sua imagem profissional com um único erro e pessoas que iniciam um processo de pequenos e sucessivos erros que vão trincando a taça de cristal aos pouquinhos, até que...Sabe qual é o problema maior dessa cegueira? Quem não a identifica e a combate no seu início pode não ter tempo depois para fazê-lo. Por isso, a metáfora da taça de cristal. Quebrou, quebrou. Não tem mais jeito nem reparo e, mesmo que se restaure, nunca mais será a mesma. O trincado vai sempre aparecer. Vai ser sempre uma taça feia. Portanto, para quem não quer pagar essa conta, é necessário ter foco e concentração nessa questão - "qual imagem quero projetar no mercado? Como quero ser reconhecido pelas pessoas que me cercam?".
Duas dicas para "fechar" por hoje. Primeira, Não viva na ignorância. Saiba exatamente qual é a imagem que você projeta no mercado. Não fuja dessa verdade. Por mais que possa doer, a verdade é sempre melhor do que a ignorância. No meu blog (marceloveras.com) tem uma ferramenta gratuita para você medir a sua imagem no mercado. Trata-se de uma avaliação 360 graus de competências. Há um tutorial completo explicando como fazer.
Segundo, não perca a concentração e nunca ache que as pessoas não estão lhe enxergando nos mínimos detalhes. Estão. Não existe onde se esconder. A sua imagem é clara e se mostra com uma resolução de tantos megapixels que você nem desconfia. Não ache que um pequeno descuido pode passar desapercebido. Não passa. Não ache que uma mentira passa incólume. Não passa. Tudo está sendo observado. Mesmo que você tente fingir, a sua imagem real sempre aparece. Mentira tem vontade própria e um dia se mostra, sem que você perceba que todos estão vendo. Todos nós temos um telhado de vidro sobre as nossas cabeças. Os nossos mínimos atos estão sendo medidos e avaliados por todos. Portanto, o melhor caminho, na minha visão, é único: decida que imagem você quer projetar no mercado e com as pessoas que lhe cercam e aja com coerência e concentração para nunca quebrar a sua taça de cristal. Até o próximo!
*Marcelo Veras é presidente da Inova Business School e especialista em Gestão de Carreiras

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