Publicado em: 16/03/2017 15h46 - Atualizado em 20/03/2017 10h14

Cegueira de futuro

Marcelo Veras
Neste quinto artigo sobre "cegueira" quero tratar de uma comum - a de futuro. Esta já virou epidemia de tão contagiosa. Vejo todos os dias pessoas que tomam decisões importantes na carreira olhando para o momento presente (ou pior, para o passado) e se esquecem que muitas dessas decisões terão impacto não imediato, mas num futuro que nem sequer analisam ou param para pensar como será.
Um belo exemplo é a escolha da carreira e faculdade. Na boa fase da economia que tivemos entre 2004 e 2008, com incentivos ao desenvolvimento industrial e de construção civil, os cursos de engenharia viraram a cereja do bolo. Parecia que quem cursasse engenharia teria dez propostas de emprego ao final da faculdade. Pois bem, a coisa não aconteceu bem assim. Um curso de graduação nessa área leva 5 anos para ser concluído e muita coisa pode mudar nesse tempo. Portanto, através deste exemplo, quero deixar claro que as decisões que impactam a nossa carreira devem, sim, olhar para o presente, mas isso é secundário. Normalmente, os frutos de decisões e investimentos que fazemos são colhidos mais adiante e não hoje. Logo, não olhar para o futuro pode causar grandes frustrações.
Eu e o professor Luis Rasquilha preparamos uma palestra chamada "As profissões do futuro". Quando mostramos algumas das profissões do futuro, as caras dos ouvintes se resumem em duas coisas: surpresa e angústia. Surpresa ao ver que as mudanças tecnológicas, tais como computação cognitiva, inteligência artificial, impressão em 3D, genética, robótica e nanotecnologia vão criar profissões que nem sequer existem hoje em nenhuma faculdade do mundo. E angústia porque olham para essas carreiras e não veem como estudar isso hoje, até porque não existem cursos nessas áreas. Além de questões tecnológicas, a expectativa de vida vai bater 100 anos e já estamos a caminho de 8 bilhões de habitantes na terra. Portanto, novas carreiras também irão surgir e áreas ligadas a serviços para idosos, preservação do meio ambiente e alimentação ganharão força.
Pois bem, quem não olha para o futuro comete um erro básico que pode ter impactos negativos na sua carreira. Só tem uma forma de entender isso - estudando as tendências e impactos no mercado. Quem fizer isso vai ser um dos primeiros a surfarem as novas ondas que estão por vir. Quem não fizer poderá acordar um dia e descobrir que as suas competências estão desatualizadas e que o mercado não as quer mais.
* Marcelo Veras é presidente da Inova Business School e especialista em Gestão de Carreiras

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