Publicado em: 30/03/2017 16h40 - Atualizado em 31/03/2017 19h57

Cegueira de consequências

Marcelo Verass
Às vezes me sinto um solitário no deserto ou falando para as paredes. Definitivamente, defendo algumas causas que possuem tão poucos adeptos que daria para fazer uma festa num quitinete de 30m². Uma dessas causas me visitou nesta última semana com dois casos próximos. E como estamos falando de cegueiras, aí vai mais uma - a cegueira de consequências. Em outras palavras, pessoas que simplesmente não pensam que suas atitudes estão sendo vistas por muitos e que lhes trarão consequências.
Para mim e meus amigos do quitinete, a vida, as finanças pessoais e a carreira dançam uma música chamada "relação causa-efeito", ou seja, tudo o que fazemos hoje determina os resultados que vamos colher amanhã. Respeito, convivo e tenho até amizade com pessoas que acreditam no acaso, na sorte, no destino ou na mão divina, mas para mim essas coisas, se é que existem, contam muito pouco. Dois fatos que presenciei nestas últimas semanas materializam a cegueira de consequências.
Primeiro, uma pessoa posta na sua página do Facebook um texto fazendo uma piada com quem sofre do mal de Parkinson. O texto era o seguinte: "Será que uma pessoa cega e com mal de Parkinson pode ser confundida com um mudo?". Que tal? Calma, tem mais uma. Uma outra pessoa é desligada da empresa, assina o termo e é dispensada do aviso prévio. Ao sair da empresa, percebe-se que o celular corporativo e o laptop que estavam sendo usados por ela possuíam uma senha. Ao ligar para esta pessoa pedindo as senhas, ouve-se um sonoro "não vou passar". Ou seja, os equipamentos ficam inabilitados para uso, porque a pessoa colocou uma senha e não quer informar. Legal, não acha? Ah, neste segundo caso, pelas características da função e do profissional, esta empresa ou seu ex-chefe com certeza serão consultados futuramente para obterem referências.
É difícil entrar na minha cabeça a ideia de que pessoas que ignoram as consequências dos seus atos o fazem de maneira tão natural e convicta. O que será que se passa pela cabeça delas? O que se passa na cabeça de alguém para fazer piada publicamente com uma doença tão triste? O que faz alguém fechar tantas portas por causa de uma atitude tão infantil e irracional? Enfim, esses são apenas dois exemplos bobos no meio de tanta coisa ruim que vemos todos os dias nas empresas, na política, redes sociais e sociedade como um todo. Nestes casos, é óbvio que o sujeito perdeu a noção mínima de respeito, empatia, ética e moral.
Como "sou brasileiro e não desisto nunca", sigo orientando meus alunos, minha filha e quem mais posso influenciar, a ficarem muito atentos ao que fazem, ao que dizem, ao que escrevem e ao que deixam de fazer. Tudo tem consequências, tudo está sendo visto, lido, ouvido e avaliado. Nossa imagem pessoal e profissional se constrói dia a dia, com pequenas ações e atitudes. Demora muito para se conquistar uma boa imagem, que, em segundos, pode virar pó.
Portanto, hoje deixo a minha recomendação ao caro leitor. Ao se deitar à noite, faça a você mesmo as seguintes perguntas: O que você fez? O que deixou de fazer? Quais podem ser as consequências das ações ou das omissões? Até o próximo!
* Marcelo Veras é presidente da Inova Business School e especialista em Gestão de Carreiras

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