Publicado em: 10/03/2017 09h55 - Atualizado em 10/03/2017 19h55

A Museologia Social

Carlos Gustavo Nóbrega de Jesus é Superintendente da Fundação Pró-Memória e Doutor em História Cultural e Pesquisador da Unicamp/IFCH

Na coluna passada, busquei dar um panorama dos novos olhares sobre a museologia e dos museus de acordo com que se está sendo pensado na Europa. Em caráter global, tal paradigma refletiu-se na Declaração da Mesa Redonda de Santiago no Chile, em 1972, organizada pelo ICOM (International Council of Museums), quando o conceito de museu foi apresentado de forma renovada, pois passou-se a compartilhar a ideia de que o espaço era de "(...) uma instituição a serviço da sociedade, da qual é parte integrante e que possui nele mesmo os elementos que lhe permitem participar na formação da consciência das comunidades que ele serve; que ele pode contribuir para o engajamento destas comunidades na ação, situando suas atividades em um quadro histórico que permita esclarecer os problemas atuais, isto é, ligando o passado ao presente, engajando-se nas mudanças de estrutura em curso e provocando outras mudanças no interior de suas respectivas realidades nacionais (Mesa Redonda de Santiago do Chile, ICOM, 1972).
Ancorado no Plano Nacional de Museus (2003), no Estatuto de Museus (Lei 11.904 de 2009 e sua Regulamentação - Lei 8.124 de 2013) e na Lei que instituiu o Instituto de Brasileiro de Museus-Ibram (Lei 11.906 de 2009), pode-se dizer que o Brasil das últimas décadas entrou definitivamente nesse momento de releituras e novas propostas, situação que reflete o momento vertiginoso que o cenário museológico global tem apresentado nos últimos vinte anos.
A Política Nacional de Museus foi lançada em maio de 2003 com o objetivo de promover a valorização, a preservação e a fruição do patrimônio cultural brasileiro, "considerado como um dos dispositivos de inclusão social e cidadania, por meio do desenvolvimento e da revitalização das instituições museológicas existentes, e pelo fomento à criação de novos processos de produção e institucionalização de memórias constitutivas da diversidade social, étnica e cultural do país" (RANGEL, 2013, p. 7).
Tal situação pode ser notada na sua diretriz número II: "Democratização e Acesso aos Bens Culturais, que comporta, principalmente as ações de criação de redes de informação entre os museus brasileiros e seus profissionais; o estímulo e apoio ao desenvolvimento de processos e metodologias de gestão participativa nos museus; a criação de programas destinados a uma maior inserção do patrimônio cultural musealizado na vida social contemporânea; além do apoio à realização de eventos multi-institucionais, à circulação de exposições museológicas, à publicação da produção intelectual específica dos museus e da museologia, e às ações de democratização do acesso aos museus" (BRASIL, 2006, p.15-16, grifos nossos).
Assim, cada vez mais, nos rastros da "Nova Museologia" e da "Sociomuseologia" os espaços museológicos devem ser pensados como lugares democráticos de produção do conhecimento, de reflexão e, principalmente, de envolvimento e acolhimento da comunidade, na qual está inserido.

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