Publicado em: 20/04/2017 17h59 - Atualizado em 26/04/2017 13h02

População reclama da demora em filas das farmácias unificadas

Mudança de sistema e feriados seguidos são justificativas da Saúde

Adriana Brumer Lourencini
O serviço prestado pelas farmácias unificadas de Indaiatuba tem sido alvo de muitas reclamações. Lentidão para retirar medicamentos, confusão no atendimento e falta de resposta estão entre as principais queixas.
A última terça-feira, dia 18, foi um dia atípico para uma coordenadora de operações e Recursos Humanos, que reside no Jardim Califórnia. Ela foi até a unidade da Rua Regente Feijó para buscar uma caixa de clonazepan, e teve de esperar quatro horas para conseguir retirar. "Cheguei às 11h30 e saí às 15h30; nunca demorou como desta vez", ressaltou a mulher, que preferiu não ter o nome divulgado. "Era normal esperar 40 ou 50 minutos, porém, quatro horas foi demais", acrescenta.
Ela conta que as senhas estão sendo distribuídas de forma desproporcional. "A cada seis senhas para prioritários eles chamam apenas um usuário não preferencial. Antes, eles chamavam três prioritários e dois com senha normal. Chegando ao guichê, isso já era 15h25, fui atendida e questionei a atendente. Ela me disse que a nova regra ficou ruim até para eles, já que são obrigados a sair mais tarde", lembra.
A mulher também destaca que procurou a Secretaria da Saúde para fazer a reclamação, e teve como resposta que 90% dos usuários da farmácia são prioritários. "Fiquei sem almoço e estava a ponto de sair e comprar o medicamento, mas, como eu não era a única revoltada, fiquei para ver até que horas iria esperar", resume.
"Estou em tratamento e de licença médica. Faço uso contínuo de alguns medicamentos, e uns eu consigo pegar nas farmácias conveniadas com o governo federal, como o remédio para hipertensão, por exemplo. O clonazepan eu estou comprando na farmácia da Rua Candelária, onde não tem fila e o custo é menor do que nas drogarias convencionais. O remédio é fornecido na unificada, mas a demora no atendimento é muito grande", complementa.
A usuária da farmácia disse ainda que outros medicamentos, como o Depakote AR e a pregabalina, não estão disponíveis na rede. "Esseseu compro todo mês e custam aproximadamente R$ 170", revela.
Transição
José Alves, que reside no Jardim Bom Princípio, é diabético e afirma que as fitas destro para controle glicêmico estão em falta na unificada. "Gostaria de saber quando vai se regularizar a situação", questiona.
Já a faxineira Marlene Pereira necessita das aplicações contraceptivas a cada três meses; recentemente, ela ficou indignada com a confusão na unidade do Jardim Morada do Sol. "Eles não queriam aplicar o anticoncepcional e falaram que eu teria que pegar o medicamento e ir até a UBS do João Pioli para fazer a aplicação. Eu bati o pé e insisti até que consegui que fosse feita", fala.
Em entrevista exclusiva à Tribuna, o presidente do Conselho Municipal de Saúde (CMS), Luiz Fernando de Oliveira Wolf, esclareceu esses e outros pontos concernentes à farmácia unificada no município.
"O problema maior está na farmácia da Rua Regente Feijó, que passa por transição de sistema. As coisas devem começar a funcionar bem em breve", salientou. Ele também comentou sobre a situação do Sistema Único de Saúde (SUS), não apenas no município, mas em todo o País. "A migração de pessoas para a rede pública tem sido muito grande, o que obriga os usuários a sofrerem com esperas por atendimento", refletiu.
Sobre a aplicação do contraceptivo, Wolf detalhou primeiramente que o serviço é distribuído pelos Postos de Saúde da Família (PSF), e que é comum a pessoa ser orientada a receber o medicamento na unidade de saúde próxima a sua residência. "Quando a farmácia tem a demanda de fornecer tal medicamento, ela envia o paciente e o remédio ao local de origem, a fim de não tumultuar o hospital e o pronto socorro. É apenas uma questão de distribuição", argumentou.
O presidente do CMS lembrou ainda dos feriados seguidos, o que comprometeu parte do serviço. "Quando temos feriados, nas semanas seguintes, aumenta a demanda de pedidos; por isso dá a impressão de ter mais gente, mas o sistema é fixo", especificou Wolf.
Moradora do Jardim Califórnia mostra senha comprovando horário que chegou à farmácia Moradora do Jardim Califórnia mostra senha comprovando horário que chegou à farmácia (Crédito: Paciente)
Unidade da Rua Regente Feijó passa por transição de sistema, segundo Luiz Fernando de Oliveira Wolf, presidente do CMS Unidade da Rua Regente Feijó passa por transição de sistema, segundo Luiz Fernando de Oliveira Wolf, presidente do CMS (Crédito: Werner Münchow)

Justificativas são mudança no sistema e vários feriados

Em nota, a assessoria da Saúde salientou que o movimento da farmácia tem crescido consideravelmente nos últimos quatro meses e apontou ainda os feriados como fator de aumento no tempo de espera.
A Pasta adicionou que diversas medidas estão sendo adotadas para melhor atender o grande contingente de pessoas, por meio do acréscimo do efetivo neste período. O objetivo é orientar a população, agilizando os atendimentos.
O sistema de informática está sendo atualizado e estão previstas algumas mudanças de fluxo e processos de trabalho que também irão impactar positivamente nos serviços. O prazo médio para tudo estar concluído é de 20 dias.
Sobre a falta de medicamentos, a prefeitura disse que há atrasos pontuais de alguns fornecedores, porém, medidas contratuais têm sido adotadas para sanar o problema. Contudo, os repasses dos governos estadual e federal para as farmácias têm sido feitos. Atualmente, a demanda na unidade do Jardim Morada do Sol é de 420 dispensações por dia e na do bairro Cidade Nova, são 600, diariamente.

Veja Também:

Comentar


Mais lidas
Filmes em cartaz
  • VIDA
  • VELOZES E FURIOSOS 8
  • A CABANA
  • OS SMURFS E A VILA PERDIDA
  • O PODEROSO CHEFINHO
  • A BELA E A FERA
  • SILÊNCIO