Publicado em: 06/04/2017 11h21 - Atualizado em 07/04/2017 20h14

O poder da palavra

Marcelo Veras
Acompanhei de longe as repercussões das palavras do ator global para a figurinista, que o denunciou por assédio sexual e mobilizou milhares (talvez milhões) de mulheres pelo Brasil. Após escrever a carta aberta assumindo o erro, foi colocado na geladeira e perdeu o protagonismo na próxima novela. Um preço bem alto para uma carreira de ator.
O meu amigo de longa data, Max Franco, é um mestre com as palavras. Já publicou seis livros, sendo dois deles que tratam exatamente do poder dessa arma que todos nós temos na mão (ou na boca, como preferir) e podemos usar em qualquer lugar, com qualquer pessoa e em qualquer momento. Em Palavras Aladas, mostra como a palavra pode fazer o bem. Já em Palavras Amargas, o oposto. Ao ver o caso citado e o estrago que produziu na carreira de uma pessoa, com certeza muito competente, não tardou a vir à minha cabeça este poder ambivalente da palavra.
Já citei aqui neste espaço um e-mail que recebi de um ex-aluno, que na época, estava expatriado na Europa e com um cargo fantástico numa multinacional. Na mensagem, ele me agradecia por uma bronca que lhe tinha dado enquanto eu o orientava no trabalho de conclusão de curso em 2003. Passados mais de 10 anos, um ex-aluno me escreve para agradecer por um "corretivo" que eu nem sequer me lembrava de que tinha dado. Neste e-mail, ele me disse que aquelas palavras marcaram a sua vida e o ajudaram na carreira. E eu? Nem recordava do fato, mas fiquei feliz ao saber que tinha impactado positivamente a carreira de alguém.
É impressionante como a palavra é poderosa. Como ela pode marcar alguém, para o bem ou para o mal. Por mais que tenhamos estudado uma língua, seja ela a nossa nativa ou não, e que saibamos escolher bem as palavras aos nos comunicarmos, nunca saberemos o real efeito que elas podem produzir, até porque, os nossos interlocutores são pessoas diferentes e recebem as palavras de forma diferente. A maioria das carreiras exige uma boa capacidade de comunicação, seja no exercício da própria profissão, como gestão de pessoas, comunicação mercadológica, assim como para se relacionar com clientes e parceiros, como é o caso da medicina ou da engenharia. Ou seja, a palavra é o instrumento de trabalho e a ferramenta que nos possibilita conviver social e profissionalmente.
Casos desta feita nos mostram que, como qualquer arma, elas podem, inclusive, matar. As palavras podem matar gente e carreiras. Podem matar outros ou quem a possui. Basta usá-las de forma irresponsável ou impensada que o estrago já está feito. O que fazer? Mais uma vez bato na tecla da empatia. Só saberemos realmente quais podem ser os impactos da nossa comunicação quando conhecemos minimamente o nosso interlocutor e tentarmos minimamente nos colocar no lugar dele. Só isso já reduz bastante o risco. Em outras palavras, use as palavras com moderação. Até o próximo!
*Marcelo Veras é presidente da Inova Business
School e especialista em Gestão de Carreiras

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