Publicado em: 20/04/2017 10h33 - Atualizado em 26/04/2017 08h29

Jogador certo, no time errado

Marcelo Veras
A seleção brasileira de futebol masculino foi do inferno (desde o famigerado 7 x 1 na Copa) a perto do céu (depois que o Tite assumiu como técnico). O interessante de se analisar é que o time é praticamente o mesmo. Como assim? Aquele mesmo time que passou vergonha na Copa do Mundo e que estava fora da zona de classificação nas eliminatórias, agora ganha tudo e já está classificado em primeiro lugar para a Copa da Rússia? Pois é, a vida tem dessas coisas!
Essa lição do futebol vale muito para a carreira. Já conheci pessoas muito competentes que, ao trocarem de empresa, passam a não conseguir produzir grandes resultados. De novo, como assim? É possível que alguém muito competente numa empresa não consiga ser tão competente assim em outra? Sim, a resposta é sim! Aliás, e vice-versa. Já vi pessoas estagnadas numa empresa e que decolam feito foguete em outra. Pode procurar que você vai achar casos como estes, e não são raros.
Como sempre gosto de dizer aos meus alunos, quando discuto o tema, "semente boa em terreno ruim não germina", ou seja, o perfil e a cultura de uma empresa são determinantes para que algumas competências sejam mais ou menos valorizadas, mais ou menos eficazes. Confesso que eu mesmo já passei por isso. Já passei por lugares que, por mais que eu quisesse fazer e tivesse as competências para tal, a coisa não rolava. O que fiz? O que deve ser feito, fui embora procurar um terreno fértil para a minha semente. Tão simples quanto isso.
Esse tema me intriga muito e conversei com um ex-aluno recentemente sobre o seu drama. Conheço suas competências e seu potencial há muito tempo. Mas ele diz que se sente estagnado e acha que na empresa onde está não consegue aplicar e demonstrar todo o seu potencial. Quando ele me relatou o perfil da empresa, do seu chefe e, principalmente a cultura ali instalada há décadas, não concluí outra coisa a não ser: "Meu caro, vai embora dali o mais rápido que puder".
Sei que para alguns (talvez para você) essa tese possa parecer meio totalitária ou radical, mas analiso perfis de carreiras há 11 anos e já acumulei certa experiência e casos recorrentes que mostram esse fenômeno - o descasamento entre as competências de um profissional e o perfil da empresa onde está. Olha, já estou cansado de ver pessoas mudarem de empresa e passarem a ter um desempenho muito diferente, para melhor ou para pior. E duvido que alguém muito bom, ao mudar de empresa, desaprenda tudo e passe a ser um profissional não tão bom em outra. Não é isso. O que acontece, simplesmente, é esse chamado descasamento.
A seleção do Tite é outra "empresa", bem diferente da "empresa" do Dunga ou do Felipão, que o antecederam. Os mesmos jogadores, com as mesmas habilidades, passaram a jogar diferente. Não entendo muito de táticas de futebol, mas é nítido que nesta "nova empresa" eles passaram a jogar melhor, com mais entusiasmo, mais garra e mais eficiência. Pense um pouco nesse dilema, que, para muitos, é um problema mortal.
A solução? Para mim, só há uma. Temos que encontrar um lugar onde os valores pessoais e corporativos batam minimamente e onde as nossas competências mais fortes sejam exatamente aquelas que a empresa mais precise e valorize. O resto é consequência e o crescimento é ato contínuo.
Portanto, se você está infeliz com seu desempenho, com seus resultados e, principalmente, com o crescimento da sua carreira, deixo aqui a minha provocação: talvez você esteja na empresa errada! Até o próximo!
*Marcelo Veras é presidente da Inova Business School
e especialista em Gestão de Carreiras

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