Publicado em: 26/04/2017 14h15 - Atualizado em 02/05/2017 12h43

Jogador certo no time errado - Parte II

Marcelo Veras
Escrevo há exatas 313 semanas (mania de engenheiro ficar contado as coisas) e, como já disse aqui, nem sei onde arranjei tanto assunto. O fato é que, depois de tanto debater o tema planejamento de carreira e desenvolvimento de competências, já percebi que alguns assuntos geram mais repercussão do que outros. E alguns, em particular, geram uma verdadeira comoção, se é que posso chamar assim. O da semana passada foi assim. Perdi a conta dos e-mails e mensagens (inbox) que recebi sobre a minha visão a respeito de carreiras que empacam e a minha crença de que, em alguns casos, isso acontece porque a pessoa está na empresa errada. Textos como "Acho que estou passando por isso", ou "Professor, me sinto assim há dois anos", ou "já me disseram que estou na empresa errada e que tenho mais potencial", são alguns exemplos do que recebi. Mas, sem dúvida alguma, o campeão de todos, aliás, a campeã de todas foi uma pergunta: "Como posso saber se sou um jogador certo no time errado?".
Quem me conhece sabe que não gosto de deixar perguntas sem respostas. Ainda mais esta tão relevante e que, na verdade, foi por mim. Portanto, resolvi usar o velho artifício da "Parte II" para retomar essa questão. Após refletir um pouco, creio que existem duas perguntas que devem ser respondidas para que você descubra se está ou não nessa lista de "jogador certo no time errado".
Deixe-me começar com um raciocínio muito básico e que defendo desde os meus primeiros textos sobre carreira, repetindo uma frase que uso há anos nas minhas aulas, palestras e artigos: "O sucesso de uma carreira é determinado, no médio e longo prazos, fundamentalmente pelo nosso padrão de entrega de resultados. No curto prazo, tudo funciona. No longo, apenas resultados bons e consistentes".
Pois bem, como um exercício básico de lógica, se uma carreira não está decolando, a primeira pergunta a ser feita é: "Eu sou um profissional com elevado padrão de entrega de resultados?". Se a resposta for sim, pule para a segunda pergunta. Se a resposta for não, as cartas estão dadas. Ou você não tem plenamente desenvolvidas as competências necessárias para isso, e aí o problema não é do lugar onde está, ou realmente está na hora de mudar de empresa assim que tiver uma oportunidade, porque as suas competências não estão produzindo os resultados ali, mas podem fazer chover em outro ambiente. Para tirar essa dúvida, você precisa conhecer muito bem a lista de competências necessárias para o cargo que ocupa e depois deve fazer uma avaliação 360 graus dessas competências. Mais uma vez, lembro que no meu Blog há uma ferramenta gratuita para isso (www.marceloveras.com).
Já a segunda pergunta é mais subjetiva, mas não menos importante: "Os seus valores batem minimamente com os da empresa, da sua equipe de trabalho e do seu chefe?". Se sim, de novo o problema não é da empresa e voltamos à questão das competências tratadas na questão anterior. Mas se há conflito de valores, se você se sente em alguns momentos um "peixe fora d'água" ou se você começa a segunda-feira torcendo para a sexta chegar, aí não tem jeito. Nunca, mas nunca mesmo, você terá um elevado padrão de entrega de resultados, mesmo que tenha todas as competências para o cargo. É impossível produzir o nosso melhor quando o trabalho vira uma tortura medieval. Não conheço ninguém que produziu grandes resultados em ambientes onde há conflitos sérios de valores.
Espero ter ajudado a responder os vários questionamentos que recebi no artigo anterior. E recomendo a todos que busquem - deixando a emoção de lado - fazer essa avaliação clara a respeito do seu nível de entrega de bons resultados e da sinergia de valores. Esses são, na minha visão, os dois ingredientes para fazer crescer esse "bolo" chamado "Carreira de sucesso". Até o próximo!
* Marcelo Veras é presidente da Inova Business School e especialista em Gestão de Carreiras

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