Publicado em: 20/04/2017 12h40 - Atualizado em 20/04/2017 20h35

As Cidades Museus - Parte 1

Carlos Gustavo Nóbrega de Jesus é Superintendente da Fundação Pró-Memória e Doutor em História Cultural e Pesquisador da Unicamp/IFCH

Como disse na coluna passada, pretendemos fazer um projeto de percursos históricos temáticos em Indaiatuba para valorizar nossos bens e a memória do município, aproximando nossos bens da comunidade e apresentando-os aos visitantes. No entanto, acabei a coluna afirmando que, para que tal projeto saísse do papel, precisei pensar e passar para minha equipe um conceito patrimonial ainda pouco usual no Brasil, ou seja, o conceito de Museu de Território.
Os guias físicos e virtuais vão nortear os percursos e trazer essa ideia imbricada no seu conteúdo, para que a comunidade possa compartilhar de tal ideia e aproveitar ainda mais seus passeios. Como já relatei em colunas passadas, tal proposta é muito forte na Gestão Patrimonial portuguesa, situação que pude comprovar e aprender em visitas técnicas nas chamadas Cidades Museus da região de Alentejo, como Évora, Beja e Mértola.
Évora é tida como uma das cidades mais belas da Europa. A cidade viveu várias fases, romana até o século V, pertenceu depois aos visigodos até a século VIII, aos mouros durante quatro séculos seguintes e, finalmente, aos portugueses desde 1165. O primeiro exemplo que tive de Cidade Museu, preserva a arquitetura destas suas fases, destacando-se as colunas do Templo de Diana da época Romana.
Mas o que mais me chamou a atenção foi a diferença de concepção da ideia de cidade histórica, tipo Ouro Preto (que Évora lembra muito) e Cidade Museu. Na Cidade Museu, o acervo museológico está naturalmente integrado ao cotidiano social da cidade. O maior exemplo disso são as termas romanas presentes na Câmara Municipal, que estão expostas nesse espaço, mas não somente como acervo patrimonial distante ao público, mas preservadas como acervo arqueológico com suas escavações, integrada ao dia a dia da Câmara, espaço no qual desde o dono da cantina até o chefe oo local podem servir de mediadores, pois todos sabem o que significam aqueles acervos e escavações, pois se sentem partícipes de tudo aquilo, já que as escavações e o bem fazem parte, de forma natural, da vida dos moradores.
Além disso, o sujeito histórico comum é convocado a fazer parte das exposições a partir de depoimentos orais, da representação e preservação de suas práticas e seus saberes. Eu ia perceber mais para frente que tal situação não era exceção, mas sim regra, pois encontraria tal postura nas duas próximas cidades que iria fazer visita técnica, Beja e Mértola. Mas isso já é assunto para próxima coluna.

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