Publicado em: 20/04/2017 13h06 - Atualizado em 20/04/2017 20h35

Vida reúne Ryan Reynolds e Jake Gyllenhaal

Ficção científica discute limites da interação com formas de vida alienígenas

Fábio Alexandre
Seguindo a linha de clássicos como Alien - O Oitavo Passageiro (1979), a ficção científica Vida aborda um dos maiores temores daqueles que sonham em descobrir vida em outro planeta: e se os alienígenas não forem amigáveis? Com direção de Daniel Espinosa, de Protegendo o Inimigo, o filme é a única estreia da semana no Topázio Cinemas.
Vida é um thriller de ficção científica aterrorizante sobre uma equipe de cientistas a bordo da Estação Espacial Internacional, cuja missão de descoberta se transforma numa experiência de terror quando eles encontram uma forma de vida em evolução acelerada que causou a extinção da vida em Marte e que agora ameaça a tripulação e toda a vida na Terra.
Desde o início, o projeto tinha como objetivo criar um suspense aterrorizante que poderia estar nas manchetes atuais. "Esse roteiro tinha um alto grau de realidade e um sentimento de tensão constante", diz Ryan Reynolds (Deadpool), que estrela Vida ao lado de Jake Gyllenhaal (Nocaute) e Rebecca Ferguson (Missão Impossível - Nação Secreta). "Começa com um clima de descoberta que se transforma numa tensão que permeia todo o filme à medida que nós aprendemos mais e mais sobre esta coisa que trouxemos a bordo da ISS".
O diretor, Daniel Espinosa, diz que antes de ser abordado para dirigir Vida, havia pensado no modo como seus cineastas-heróis filmam a ficção científica, entre eles Ridley Scott em Alien, Stanley Kubrick em 2001 - Uma Odisseia no Espaço e Andrei Tarkovsky em Solaris. "Acho que a razão pela qual tantos grandes diretores entraram na ficção científica é trabalhar com o desconhecido - o medo ou o fascínio pelo desconhecido", afirma. "Nós vivemos em um mundo que é bastante mundano, mas, no espaço, você entra em uma aventura - você não sabe como ele é, qual seria a sensação, o que ele pode fazer com você, onde está. Não há som algum. Isso é terrível".
Ryan Reynolds retoma parceria com roteiristas Rhett Reese e Paul Wernick, de Deadpool, para novo longa científico Ryan Reynolds retoma parceria com roteiristas Rhett Reese e Paul Wernick, de Deadpool, para novo longa científico (Crédito: Divulgação)
Jake Gyllenhaal é um cientista estressado pela longa permanência em uma estação espacial Jake Gyllenhaal é um cientista estressado pela longa permanência em uma estação espacial (Crédito: Divulgação)

Criar uma realidade científica foi a intenção de Espinosa

Depois de ler o roteiro de Vida, Espinosa vislumbrou uma maneira de se inspirar no trabalho desses ícones e ainda fazer um filme que tivesse a sua própria marca pessoal. "Esse roteiro parecia mais uma ficção científica realista - talvez uma realidade científica", conta, observando que os cientistas já descobriram provas da água em Marte, milhares de exoplanetas girando em torno de outras estrelas e até mesmo acordaram micróbios de 50.000 anos de idade hibernando dentro de cristais.
"Encontrar vida em outros planetas é, obviamente, extremamente emocionante, e eu acho que poderíamos estar muito próximos disso", afirma Paul Wernick, que coescreve o filme com seu parceiro, Rhett Reese, dupla responsável por Deadpool. "Eu acho que o que é assustador na descoberta de vida extraterrestre é que não sabemos se suas intenções serão amigáveis ou hostis, se sua inteligência será alta ou baixa, se ela vai nos explorar ou ser explorada por nós", afirma Reese. "Esse é um medo real. Stephen Hawking assinalou que a vida extraterrestre pode não ser amigável nem ter as melhores intenções para com a humanidade".
O personagem de Gyllenhaal, o dr. David Jordan, tem o distanciamento e a frieza de um homem que passou mais de 473 dias na Estação Espacial Internacional. Detalhe que foi essencial para o ator aceitar o papel. "Era um roteiro com uma dinâmica maravilhosa e aterrorizante. É uma ideia divertida - você acha que sabe para onde ele está indo e, então, ele evolui para algo que você realmente nem imagina", afirma. "A forma de vida é literal, mas também é uma metáfora incrível para o que pode acontecer. A curiosidade é um dos traços humanos mais importantes, mas acho que procurar longe demais pode ser excesso de confiança. Assim, a forma de vida é uma repercussão desse tipo de curiosidade".
Entre metáforas e muitos efeitos especiais, Vida tem seus bons momentos. No entanto, apesar da intrigante temática, acaba se distanciando dos clássicos em que se inspirou, justamente por não se aprofundar em questões filosóficas, apostando única e exclusivamente na tensão, um dos pontos fortes desta ficção científica.

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