Publicado em: 26/04/2017 14h31 - Atualizado em 02/05/2017 20h45

Luto

Quando um animal nosso morre a gente morre um pouco também. Quem já passou por essa experiência sabe como dói. Tem gente que acha um exagero, "é só um cachorro! Pegue outro que passa". Não é assim. Nenhum ser substitui aquele que se foi. Esta escriba perdeu cinco filhinhos em pouco tempo. Os boxers Onça, Tigre e os gatos Iuri e Preto se foram um mês depois do outro. Por fim, a Arara, que estava com a família há 40 anos, morreu de repente. Como suportar tanta dor em tão pouco tempo?
Segundo Nazaré Jacobucci, psicóloga e especialista em Teoria, Pesquisa e Intervenção em Luto, esse trauma pode perdurar por um longo período e, muitas vezes, demanda apoio psicológico.
Antecipado - Não é fácil lidar com perdas, muito menos conviver com a morte iminente quando nosso peludo está doente ou idoso - é o chamado luto antecipado, como explica Nazaré. "Cada pessoa reage de um jeito. Pode haver raiva, negação, quando apesar de todos os indícios o dono ainda acredita em um milagre. Em terapia, buscamos transformar esses sentimentos em compreensão, mais do que aceitação". Segundo a psicóloga, existe a falsa ilusão de que todos viveremos para sempre, o que não é realidade, muito menos quando se trata de animais de estimação, cuja expectativa de vida é bem menor do que a nossa. A dor da perda de um peludo é igual a de uma pessoa querida, ou dependendo do nível de vínculo entre o dono e o animal, até maior.
Idoso - Conviver com um animal idoso é um grande privilégio: o grau de sinergia entre o dono e o bicho atinge o grau máximo e eles se entendem só pelo olhar. Mesmo que o peludo tenha limitações físicas ou esteja doente, é importante manter as rotinas que fazem bem a ele, sempre observando as orientações do veterinário, claro. Talvez as longas caminhadas não sejam mais possíveis, mas passeios curtos, em ritmo mais lento, ou um simples banho de sol na praça, onde há cheiros diferentes e movimento, melhoram a qualidade de vida do velhinho. Uma boa ideia é investir em camas que ajudam a aliviar as dores e comedouros suspensos, que facilitam a alimentação e ingestão de água.
Doente - Difícil é aceitar que o fim está próximo, principalmente quando aparecem doenças graves. O que fazer quando o bichinho está em fase terminal? Deixá-lo comer seus pratos preferidos, viajar para os lugares que ele mais gosta, abraçar e beijar muito até que o cheiro deles fique impregnado em nossas narinas? São inúmeras as possibilidades de se despedir aos poucos daquele peludinho tão importante em nossas vidas, e aproveitar esses momentos pode ajudar a aliviar, um pouco que seja, a dor da perda.
Eutanásia - Talvez seja necessário enfrentar um dos maiores temores de alguém que tem bicho: a eutanásia, indicada apenas quando o animal está em sofrimento extremo, não se alimenta e nem bebe água ou em quadros de doença irreversíveis, quando os medicamentos não têm mais eficácia, ou quando não há mais dignidade em uma vida que foi tão plena. Vem carregada de culpa e do "e se?". E se eu estiver fazendo errado? E se houver um novo tratamento, uma chance, um milagre?
Nazaré explica que o papel do veterinário nesse momento é fundamental, pois só ele pode avaliar se há alguma esperança ou a possibilidade de novas tentativas de tratamento. O entendimento do "não há mais nada a fazer" vai acontecendo aos poucos e, chegada a hora, o dono deve ter a possibilidade de escolher como quer se despedir do animal, em casa ou na clínica, e se quer enterrar o corpo ou cremar.

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