Publicado em: 04/05/2017 15h35 - Atualizado em 05/05/2017 16h00

A Cidade Museu - Parte 2

Carlos Gustavo Nóbrega de Jesus é Superintendente da Fundação Pró-Memória e Doutor em História Cultural e Pesquisador da Unicamp/IFCH

Na coluna passada, escrevi sobre a necessidade de se pensar um roteiro histórico para Indaiatuba, situação que está se concretizando por meio de um projeto desenvolvido pela nossa equipe. Para tanto, salientei que deveríamos pensar na ideia de Museu de Território, conceito que pude constatar na visita técnica que fiz nas chamadas cidades Museus de Portugal.
Mencionei o caso de Évora, no entanto gostaria de citar os casos de outras duas cidades, Beja e Mértola. Entre Évora e Mértola se localiza Beja, cidade romana na Península Ibérica, conhecida como Pax Julia. Foi aí que fiquei sabendo da importância da região do Alentejo para Roma Antiga, devido a sua riqueza em grãos, situação imprescindível para alimentar a população territorial do Império.
A grande diferença é que quem me deu essa aula foi um garçom, que como os demais eram conhecedores de todos os detalhes do acervo museológico (material e imaterial) desta cidade museu. Resultado, segundo eles, de extensas aulas de educação patrimonial e cursos públicos dados na cidade por arqueólogos (inclusive em praça pública, com inúmeros interessados), professores e profissionais ligados ao Museu Municipal, que envolveram e envolvem até a hoje a comunidade nas atividades museológicas da cidade.
No dia seguinte, fui para Mértola, cidade museu mais reconhecida por seu trabalho. Cidade de pouco mais de mil habitantes, que cada vez mais se destaca pela experiência da gestão patrimonial, principalmente gestão museológica, a partir do conceito de Museu do Território e da nova museologia. Situação que fica clara na apresentação da Vila Museu em seu site: "Mértola é uma vila com um passado muito importante, que a coloca desde há alguns anos num local de destaque nacional e internacional no que à arqueologia e ao patrimônio diz respeito. Este passado e todo o trabalho até hoje realizado traz-nos uma responsabilidade acrescida, uma responsabilidade de conservar, valorizar e divulgar toda esta riqueza patrimonial".
O Museu de Mértola, criado pela Câmara Municipal de Mértola em 2004, é composto por vários núcleos dispersos geograficamente, na sua maioria localizados no Centro Histórico de Mértola. Tem sido a sua função estudar, inventariar, tratar, conservar e divulgar todo o espólio que, ao longo dos últimos 30 anos, foi sendo descoberto nas inúmeras intervenções patrimoniais e arqueológicas. "O patrimônio é assim um dos vectores fundamentais para o desenvolvimento do concelho de Mértola, pois é aquilo que nos diferencia de todos os outros concelhos do país, é a nossa mais valia", afirmam. "O investimento e a aposta no patrimônio não deve ter apenas um objectivo turístico, mas também objectivos pedagógicos e científicos, os serviços educativos do museu recebem anualmente milhares de alunos de todas as idades e de todo o país (...)". É sobre essa experiência que quero me aprofundar no próximo artigo.

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