Publicado em: 22/06/2017 09h53 - Atualizado em 23/06/2017 16h39

Umbigo "santo"

Paulo Antolini é psicólogo, psicoterapeuta, practitioner de programação neurolinguística, administrador e consultor de empresas. Fones: (19) 3834-8149 / (19) 99159-2480 Email: paulo.salvio@terra.com.br

"Ele só vê o próprio umbigo!". Frase corriqueira e de uso constante nas conversas onde pessoas ocupam posição central no tema. Costuma-se dizê-la quando as pessoas em pauta têm uma postura egoística e só olham para seus interesses próprios, desconsiderando todos e quaisquer outros fatores ou pessoas.
O uso de "santo" refere-se ao fato de admirar e seguir àquele que se apresenta como o mais. Mais correto, mais importante, mais tudo. Pessoas que se acham seu próprio "santo de devoção".
Tem sido muito frequente as manifestações individualizadas onde, em qualquer segmento de nossas vidas, exista o convívio em comum.
Por si só, quando se fala em "convívio em comum" já se encontra implícito a necessidade de compartilhamento, coletividade, comunhão, etc. Porém o pensar só em si mesmo coloca o indivíduo em destaque único.
Inevitavelmente para esses ocorre o desrespeito aos demais. Quando alertados para isso ainda se defendem dizendo que "nunca pensei em fazer isso." Não pensou, mas fez. Já falamos que respeitar é atribuir valor, consideração a algo ou alguém, portanto, aqueles que só enxergam a si mesmos estão deixando a tudo e a todos de lado.
É só do jeito deles; são os donos da verdade e decidem tudo por eles mesmos, sem levar em conta os que os cercam, alguns não percebem e outros fazem por não perceber a onda de mal estar e descontentamento que deixam por onde passam. Quando rechaçados pelo meio ou severamente recriminados ainda se sentem incompreendidos e injustiçados. "Fiz pelo bem de todos; achei que vocês queriam isso," e outras argumentações surgem nessa hora. Raramente um pedido de desculpas e demonstração de reconhecimento das atitudes tidas.
Fisicamente, ao olhar para o próprio umbigo, quando o fazemos, estamos limitando nosso campo de visão. Experiência simples e rápida de fazer e que confirma esta afirmação. Nosso olhar fixado no umbigo fecha o campo visual e a visão periférica fica muito restrita. Eis o sentido de se dizer "olhar só o próprio umbigo!". Quem assim o faz não vê mais nada nem ninguém.
Quantos relacionamentos são prejudicados pela não plenitude do compartilhar. Relacionar significa estabelecer elos, vínculos, fazer ligações. Não se faz ligações quando as duas pontas da corda estão fixadas no mesmo ponto. Ela liga nada a coisa nenhuma.
O não perceber os demais, não olhar à volta identificando o que está se passando alimenta grande alienação da realidade que se vive. Alienar-se significa afastar-se da realidade e do mundo, isolar-se.
Eis um ponto crucial: o isolamento. Aquele que assim age se isola e é isolado. Se isola por não "enxergar" nada além de si mesmo e é isolado porque aqueles que o cercam acabam se afastando, pois ninguém de sã consciência gosta de ser desconsiderado e até desrespeitado.
A solidão sentida chega a doer, pois essas pessoas, apesar de tudo, necessitam de outras pessoas. Precisam apenas perceber que não são únicas nesse mundo e que todas devem ser contempladas com atenção e consideração.
Como é bom termos pessoas com as quais podemos compartilhar nossas existências. Tudo fica mais leve e mais satisfatório. Como mudar isso? Basta apenas levantar os olhos e enxergarmos o que e quem está à nossa frente.

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