Publicado em: 13/07/2017 16h25 - Atualizado em 14/07/2017 16h09

Lucio Costa e o IPHAN

Carlos Gustavo Nóbrega de Jesus é Superintendente da Fundação Pró-Memória e Doutor em História Cultural e Pesquisador da Unicamp/IFCH

Como destaquei no artigo anterior, na esteira das comemorações dos 80 anos do IPHAN (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional), podemos destacar alguns nomes que ajudaram a construir a história do órgão. Entre eles deve-se citar o reconhecido arquiteto Lucio Costa. Desde o início ele foi diretor da Divisão de Estudos de Tombamentos, posto abaixo apenas ao de Rodrigo Melo Franco. Situação que fez com que suas propostas delineassem as políticas referentes à preservação, conservação e restauro do Patrimônio Histórico Brasileiro, das quais destaca-se o fato de que buscou até mesmo pequenas ações corretivas, como a retirada de elementos que alguns imóveis ganharam depois do século XVIII. (cf. Rubino, 2002, p.13). Tal prestígio institucional auxiliou Lucio Costa a sedimentar um modelo historiográfico que definiu boa parte dos estudos sobre a história da arquitetura brasileira. (PUPPI, 1994, p.124).
O propósito principal deste olhar histórico construído por Lucio Costa se baseava no fato de levantar os equívocos e aprofundar estudos da casa colonial brasileira. Quando abandonou o neocolonialismo, o arquiteto passou a deixar nítida sua postura em salientar que, as bases da arquitetura brasileira estavam nas linhas arquitetônicas tradicionais portuguesas. Situação que o levou defender a tese de que qualquer estudo da arquitetura brasileira devia recuar até o século XVII para definir um parâmetro, pois esse era o momento em que a matriz portuguesa tinha sido menos contaminada. Mas, a questão a ser notada aqui é o fato, bem lembrado pelo pesquisador Marcelo Puppi, (1994, p.125-129) de que Lucio Costa programou tal modelo, unicamente, para dar subsídios à sua causa modernista, não se preocupando em contribuir com o estudo da história da arquitetura brasileira. Devido a isso, desabilitou e depois tentou resgatar, a importância de Aleijadinho na arquitetura nacional, situação que viria com a exaltação das virtudes portuguesas encontradas nas obras do artista.

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