Publicado em: 31/07/2017 14h12 - Atualizado em 31/07/2017 21h44

É possível aprender sem atenção

Samir Iásbek
Você marca um encontro com seus amigos para colocar o papo em dia e nota que todos estão olhando para seus smartphones ao invés de conversar. Ou ainda suponha que você é um professor e precisa ensinar um conteúdo complexo de Física para seus alunos e percebe que boa parte da turma está desatenta, mexendo no celular.
Esses exemplos nos fazem refletir se a nossa capacidade de dar real atenção às coisas e ao momento do aprendizado encolheu. Acredito que os profissionais de aprendizagem e desenvolvimento devem usar as pesquisas fundamentadas sobre como aprendemos para, daí sim, termos base para a criação de um treinamento. Isso nos impede de cair em modas e usar métodos que possam diminuir o aprendizado. Não podemos processar, lembrar ou aplicar informações que não tenhamos realmente recebido, ou seja, que não tenhamos dado devida atenção.
Nosso processo de raciocínio favorece a resolução de problemas óbvios, em vez de questões e mudanças sutis. Somos multitarefas, o que realmente prejudica a atenção.
Nossos processos de pensamento dão mais importância às questões de perigo iminente e grandes mudanças ambientais. Um exemplo é que sempre estivemos atentos às atitudes provenientes de um outro ser humano ou até mesmo de um ataque animal. Agora, no entanto, a maioria das necessidades de atenção são com coisas mais sutis. Precisamos captar alguns sinais mais tênues que nos dizem para analisarmos profundamente uma determinada situação, como, por exemplo, quando tiramos um extrato bancário e ele vem com pequenos débitos, recorrentes e não autorizados que podem levar a um montante maior.
Muito pouco das informações são realmente processadas. Isso porque nossos sistemas de atenção e memória só podem processar uma pequena quantidade de cada vez. Internalizamos o que achamos mais importante. Mas o que é realmente significativo? O que estamos processando pode estar em desacordo?
Também temos problemas para prestar atenção em informações que exijam processamento pelo mesmo "canal" de entrada. Sistematizamos a informação verbal (o que nos é falado) e visual (o que vemos) em diferentes "canais". E essas modalidades de interação são armazenadas em dois tipos de memória diferentes: memória verbal e memória visual. Desta forma, existiria uma maior chance de armazenamento e recuperação dessas lembranças, conforme necessário, quando as memórias relacionadas são armazenadas verbal e visualmente. Mas quando tentamos processar várias entradas de informações no mesmo canal, enfrentamos dificuldades.
Pesquisas mostram que não podemos fazer várias coisas ao mesmo tempo. O que estamos executando, quando achamos que estamos sendo multitarefa, é rapidamente mudar o foco de nossa atenção. E a mudança rápida, muitas vezes, prejudica nosso rendimento na atividade que estamos tentando realizar.
No que a sua atenção tem trabalhado? Uma vez que percebemos todas os fatores que interferem na nossa atenção, entendemos que precisamos superar algumas barreiras para nos mantermos atentos.
Mas, os smartphones são úteis ou uma distração? Eu duvido que você tenha problemas com os resultados da pesquisa porque nós usamos nosso celular, laptop ou tablets durante aulas, oficinas, apresentações e conferências. É tão fácil afastar-se da pessoa que fala e focar naquilo que a mente nos diz ser fundamental (mas provavelmente não é): e-mail, Facebook, você o nomeia. 
O uso de um smartphone pode ter efeitos positivos sobre a atenção e a aprendizagem, mas somente quando eles são usados para atividades centradas na instrução. Mas quando os laptops não são usados estritamente para a aquisição do conhecimento, vemos mais distrações, falta de engajamentos e, em última análise, menos aprendizado. Coloque distrações junto com dificuldades de atenção típicas e temos uma receita para não aprender. As pessoas estão distraídas pelas atividades não relacionadas ao foco da aprendizagem.
Devemos ignorar as informações desnecessárias que desviam nossa atenção, e buscar formas mais adequadas e adaptadas para esses artefatos tecnológicos.
Os aplicativos precisam ser persuasivos, atrair a "atenção" dos usuários nos temas que elas querem que sejam aprendidos.  Em suma, temos de nos manter vigilantes em formas e atitudes que possam efetivamente melhorar nossa atenção. Afinal, aprender sem atenção é IMPOSSÍVEL.
Samir Iásbeck é CEO e fundador do Qranio, plataforma mobile que usa a gamificação para recompensar os usuários e estimulá-los a se envolver com conteúdos educacionais

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