Publicado em: 16/08/2017 16h32 - Atualizado em 18/08/2017 20h37

Pensamento crítico parte II

Marcelo Veras
Fui literalmente bombardeado com perguntas e comentários sobre o artigo da semana passada - "Pensamento crítico". Dependendo da intensidade da discussão, gosto de retomar, esclarecer ou aprofundar algo. Neste caso, quero responder a pergunta mais relevante que recebi - "Se essa competência será uma das mais demandadas e valorizadas na próxima década, por que as escolas e as empresas a ignoram?"
Bom, para começo de conversa, todos nós sabemos o que acontece com pessoas que têm essa competência bem aguçada. E olha que não me refiro apenas às escolas. Profissionais questionadores e que frequentemente fazem as duas perguntas mais inteligentes e provocativas (Por que? e Por que não?) são, na maioria das empresas, taxados de chatos ou inconvenientes. É ou não é? Nas escolas, então, meu Deus! São trucidados por professores e demais atores da chamada "escola moderna". (moderníssima!)
Para entender o porquê desse fenômeno, não precisa ir muito longe nem pensar muito. Basta lembrar que o modelo de escola e o de empresas que temos hoje é herança da revolução industrial. Produção em série, padronização de processos e atividades, hierarquia bem definida, burocracia como ferramenta de controle e por aí vai. São séculos de uma cultura que criou raízes de castanheira. Além disso, este modelo, onde alunos e funcionários devem seguir padrões, questionar pouco e fazer o que se manda é perfeito para professores e gestores acomodados, que querem ter pouco trabalho e não toleram ver o seu poder em cheque. Em outras palavras, pessoas que não gostam de debater, seja por falta de argumento ou por preguiça mesmo, não gostam de ter nas suas equipes ou salas de aula pessoas com essa competência bem desenvolvida.
Foi assim por séculos e segue assim na imensa maioria das escolas e das empresas, mas existe um pequeno detalhe - o mundo mudou. A velocidade das transformações acabou com a hegemonia de muitas empresas e de muitas escolas. Gigantes viraram pó por não conseguirem se adaptar ao novo mundo. E, ao contrário, as grandes inovações surgiram (e surgem todos os dias) nos ambientes onde esses profissionais (críticos e inovadores) habitam. Por uma razão muito simples - é ali que estão sendo feitas as perguntas mais pertinentes ao nosso momento histórico - Por que? Por que não?
Portanto, essa pesquisa, dentre várias que apontam na mesma direção, foi só uma comprovação matemática de que o mundo pede e irá valorizar, nas próximas décadas, profissionais com elevado pensamento crítico, que questionem sim, a todo momento, o que está aí. Que proponham novas soluções para problemas antigos, novos caminhos para questões emergentes e que provoquem e sejam provocados por pares, superiores, subordinados, professores e colegas de sala de aula.
Quem quiser fugir disso e tentar manter esse modelo ultrapassado e obsoleto de relações padronizadas, sem debate, sem provocações e sem confronto de ideias, que mude de planeta. Porque aqui essa vai ser a dinâmica daqui pra frente. E os vencedores serão sempre aqueles que conseguirem dar novas respostas e apontar novos caminhos, muitas vezes, na direção oposta daquela para qual estamos indo hoje. Até o próximo!

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