Publicado em: 03/08/2017 18h55 - Atualizado em 04/08/2017 19h24

Nostalgia dá o tom em O Filme da Minha Vida

Terceiro longa de Selton Mello retrata os conflitos de uma família do Sul nos anos 1960

Da Redação
Divulgação Tony procura lidar com a ausência do pai através dos livros, da poesia e do cinema, que se tornam sua razão de viver
O Filme da Minha Vida é uma adaptação literária e, do mesmo modo que o livro, centralizado na tristeza que domina um jovem e sua mãe, após a partida do pai.
Situado em 1963, na Serra Gaúcha, o longa dirigido e estrelado por Selton Mello se inspira na obra Um Pai de Cinema, do chileno Anonio Skármeta, e conta a história de Tony Terranova (Johnny Massaro), filho de um francês e uma brasileira, que parte para estudar na capital e imagina ter a vida perfeita. Porém, tudo muda quando ele retorna à sua cidade natal, Remanso, e vê o pai (Vincent Cassel) se mudar para a França, sem qualquer justificativa.
Sofia, a mãe do jovem, vivida por Ondina Clais Castilho, demonstra uma tristeza mais velada, enquanto Tony se lamenta ininterruptamente dia a dia, redigindo cartas e buscando processar o que aconteceu. Contudo, em determinado momento, o rapaz decide abandonar a melancolia e passa a se dedicar a atividades como cinema, viagens e paqueras.
Envolvido pelos livros e filmes que consome, o rapaz transforma o amor, a poesia e o cinema em sua razão de vida, e, mesmo mantendo o ar amargurado, ele se torna capaz de assumir a própria personalizada e tomar decisões.
O destaque fica por conta do visual, valorizado pela fotografia de Walter Carvalho, que mistura nostalgia e romantismo pela alternação de tons de sépia e cores intensas, e da trilha sonora, que surge em trechos marcantes, para logo em seguida, desaparecer, nos momentos mais angustiantes.
No final, o longa traz um novo desfecho para a trama, com a história bem alinhavada, mostrando os protagonistas em conflito com as próprias crenças; enquanto que na obra literária, o autor deixa o desfecho em aberto.
Memórias
O roteiro foi escrito por Mello - que vive no filme o personagem Paco, antigo amigo da família - em parceria com Marcelo Vindicato, seu colaborador de outros trabalhos. No elenco, além de Massaro, Cassel e Castilho, o filme conta com Bruna Linzmeyer (Luna), Bia Arantes (Petra), Martha Nowill, João Prates, Rolando Boldrin e o escritor, Skármeta, que parece na sequência do bordel.
O longa também deve boa parte da poesia à Selton Mello, em sua compreensão sobre a natureza da memória e de que forma ela pode representar prisão e liberdade. Um exemplo está no trecho em que Paco diz a Tony como ele pode se esquecer da pessoa que o ensinou a andar de bicicleta.
Da mesma forma, Mello demonstra conhecimento de como as memórias podem nos devolver ao tempo passado, no momento em que elas foram formadas; isso explica o fato de Tony ser representado como menino nas cenas de suas recordações.
Outro momento do filme que vale lembrar é quando Paco explica a Jonhny por que não lhe agrada ir ao cinema, já que ali parece "um troço escuro que você fica lá dentro vendo a vida dos outros em vez de cuidar da sua e perde duas horas da vida".
O diretor
Em 2008, Selton Mello estreou na direção de longas com Feliz Natal, que trouxe uma narrativa tumultuada entre personagens angustiados. Mais tarde, o ator produziu O Palhaço, mostrando o bom equilíbrio entre humor e drama. Agora, com O Filme da Minha Vida, o diretor demonstra sua surpreendente vocação pelo sentimento marcante de nostalgia.

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