Publicado em: 09/08/2017 15h08 - Atualizado em 11/08/2017 17h55

Em nome do amor

Paulo Antolini é psicólogo, psicoterapeuta, practitioner de programação neurolinguística, administrador e consultor de empresas. Fones: (19) 3834-8149 / (19) 99159-2480 Email: paulo.salvio@terra.com.br

Ao assistir um evento em que se falava das diferenças de gerações, a palestrante em determinado momento citou o fato de que os jovens estão tendendo a não terem resistência às frustrações porque estão sendo criados com excesso de amor. "Demos muito amor a eles e agora estamos colhendo os frutos!".
Esta afirmação não é a mais adequada, mas revela a grande distorção que se tem feito quando o assunto é amor. Amor de pais para filhos não é o que se tem praticado. Procura dar de tudo e permiti, em nome da liberdade, que façam o que bem entende.
Resultado de uma época em que dizer não era condenado por "especialistas", pediatras, psicólogos, pedagogos, educadores e outros, acrescido de fortes sentimentos de culpa dos pais, principalmente pelo distanciamento materno, que precisou ir ao trabalho externo ao lar. Culpa causada pela sensação de abandono que o fato gerou e, na busca então do compensar, tudo é dado às crianças e tornam-se adolescentes e jovens adultos que só aprenderam a ter suas vontades atendidas.
Dar amor a alguém é completamente diferente do atender desejos e vontades. O budismo diz que amar é manifestar em si o possível para que o outro seja feliz. Sabemos que para alguém enfrentar a própria vida é necessário ter ferramentas, recursos que lhe possibilite realizar, superar obstáculos, enfrentar dificuldades e, somente assim, terá então a alegria do se realizar enquanto pessoa.
Preparar um filho para a vida é dar-lhe condições de aprender as leis da convivência, o que implica em reconhecer valores, respeitá-los, é desenvolver neles a palavra da moda; resiliência, capacidade de se dobrar e não perder a firmeza da posição, adequando-se às situações e se recuperando rapidamente. É ensiná-los ao não, mesmo que isso lhes seja desagradável ou até sofrido.
Justamente por se tentar compensar as insatisfações de um lado, e justificar as conquistas de outro, é que geraram essas insatisfações, permissividade e a frouxidão ganhou espaço e criaram um "mundo de insatisfações e descontentamento" intenso entre esses jovens. Sim, consegue-se exatamente o resultado que se tentou evitar. Insatisfações, desmotivações, despreparos, prepotências e arrogâncias.
Esses jovens sofrem, e muito mais que seus pais. Isso é ter dado amor a eles? Muitos pais hoje se perguntam: "Onde foi que errei, fiz tudo que podia e que ele queria". A resposta é a mesma: Você fez tudo quando deveria ter feito que ensinaria seu filho, sua filha a aprender a viver.
Fala-se de gerações que são cada vez mais inteligentes. Importante lembrar que são gerações que recebem estímulos que os levam a se desenvolverem mais e mais rapidamente. Isso não os eximem de aprenderem valores, pois a inteligência e o conhecimento desprovidos de valores são fermentos da dor e do sofrimento.

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