Publicado em: 30/08/2017 14h10 - Atualizado em 01/09/2017 18h33

Desabafe escrevendo

Paulo Antolini é psicólogo, psicoterapeuta, practitioner de programação neurolinguística, administrador e consultor de empresas. Fones: (19) 3834-8149 / (19) 99159-2480 Email: paulo.salvio@terra.com.br

Marta chegou ao consultório quase que sem rumo. Com dificuldades de concatenar suas ideias, ia e vinha em um discurso sem sentido. Pedi que respirasse fundo várias vezes, o que começou a fazer com certa dificuldade, mas foi se aquietando e caiu em lágrimas.
Sua vida tinha se tornado um inferno, foi sua primeira frase com significado. Seu marido estava revoltadíssimo com ela, assim como seus filhos, sua cunhada e, por incrível que pareça, a única e que tinha sido o alvo nesse desastre familiar, sua sogra, apenas havia se colocado sobre o ocorrido de forma muito triste.
Incomodada com o marido passar todos os dias para ver a mãe e no dia do ocorrido ter se esquecido de passar em uma loja perto de seu serviço para ela, não disse nada a ele, apenas "fechou a cara", mas correu para uma amiga, quase vizinha e desabafou, falando horrores de sua sogra. Atribuiu à ela todas as pequenas diferenças que tinha com o marido e em um momento de desatino maior em seu desabafo disse: "Se eu pudesse eu cortava essa mulher de minha vida!".
Mais tarde, já mais calma e inclusive sua encomenda chegando por um motoboy, ação tomada de seu esposo quando viu seu esquecimento, acreditou estar tudo resolvido e foi preparar o jantar. Seu esposo havia ido encontrar alguns amigos e voltaria logo. Eles sempre se reuniam entre dezoito e dezenove horas para um rápido bate papo.
Neste dia seus filhos já adolescentes foram com o pai e quando chegaram, todos estavam enfurecidos, pois o marido de sua "grande amiga" contou a eles, da maneira dele sobre o desabafo de sua mulher. "Em cada conto se aumenta um ponto" e no desfecho a colocação em tom de conselho: "Cuidado com o que está acontecendo, pois sua mulher prometeu matar sua mãe.".
Este é um caso extremo, mas que representa muitos outros de aparente menor envergadura, porém que trazem em seus contextos dramas sérios de relacionamento, em todos os âmbitos.
"Não precisa matar minha mãe, pode pegar suas coisas e sair agora" foi a primeira frase dita por ele, após o que a confusão se instalou, até que conseguissem saber sobre o que se estava falando.
As pessoas têm por hábito o reclamar e quem assim o faz reclama de tudo e de todos. Possuem uma facilidade em considerar os ouvidos mais próximos como merecedores de confidências e desabafos. Acabam fazendo jus aos problemas que criam.
As coisas estavam mais calmas na casa de Marta, mas todos a olhavam com ressentimento e recriminação. Ela percebeu que levaria um bom tempo até que tudo isso se tornasse passado. Durante nossas sessões ela fez uma colocação: "Poxa, então não posso falar nada do que está me incomodando?". Pode sim, para a pessoa diretamente envolvida. Ou então, se não for possível, recomendado, se não tiver coragem, então escreva. Coloque no papel tudo o que sente, fale nele o que quiser. Guarde por alguns dias, releia e veja se era isso mesmo. Então rasgue e jogue fora. Você colocou para fora sem correr o risco de criar uma cadeia de fofocas e diz-que-diz!

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