Publicado em: 06/09/2017 16h01 - Atualizado em 08/09/2017 18h09

Quando tudo parece escuro

Paulo Antolini é psicólogo, psicoterapeuta, practitioner de programação neurolinguística, administrador e consultor de empresas. Fones: (19) 3834-8149 / (19) 99159-2480 Email: paulo.salvio@terra.com.br

Todos têm momentos onde nada parece claro, límpido, transparente. Nuvem negra; tempestade escura e muitas outras expressões que revelam a mesma condição: nada parece acontecer para que os horizontes de nossas vidas clareiem.
Algumas poucas vezes isso é real, porém na maioria delas a preocupação é desproporcional aos fatos. Estão muito mais relacionadas com nossos estados emocionais frente aos momentos em que nos encontramos.
A pessoa que entra em desespero frente ao boleto a ser pago e a falta do recurso para saldá-lo. Desespero esse que se atenua após uma renegociação com o credor, um adiamento da data, um empréstimo ou mesmo um recebimento antecipado, enfim, várias situações que possibilitam o "respirar". Mesmo em última instância, o não pagar acarretará multas e outras sanções, mas a vida continua. De qualquer forma, em momento futuro o problema será resolvido.
Muita gente tem medo da escuridão. Tem necessidade de enxergarem a tudo e a todos. Esquecem que tudo tem seu lado positivo. A escuridão nos possibilita o desligarmos de tudo que nos é externo. Ficamos então com apenas nós mesmos. Aprender a olhar para ausência de claridade, aceitando-a, é permitirmo-
nos a enxergar a nós mesmos e ver então a luz interior, que nos guiará por todos os caminhos, fáceis ou não.
Façam a experiência: fechem-se em um cômodo totalmente escuro e fiquem de olhos abertos. Inicialmente apenas a negritude da falta da luz. Continuem de olhos abertos e perceberão que começarão a perceber alguns contornos dos móveis que estão no recinto. Na continuidade, mesmo com a escuridão mantida, os olhos já estarão familiarizados com o escuro e então se torna possível inclusive o movimentar-se pelo recinto sem trombar com os objetos.
A familiarização ocorreu. Nossos olhos se adequaram à falta de luz e então o escuro passou a ser apenas um pano de fundo para o que existe no local. A aparente escuridão quando olhada traz-nos a luz. Pode parecer contraditório, mas é real. O excesso de luz também cega.
Para nossa surpresa, o que mais assusta não é a escuridão, porém o que poderemos perceber ao olhá-la. É o temor do mergulho interno que nos revelará muitas vezes coisas que não gostaríamos de ver, como por exemplo, a identificação de que a responsabilidade de determinado ato, que tanto estávamos atribuindo a outrem, na verdade é nossa.
Carl Gustav Jung fala sobre o lado sombra do ser humano. Recôndito escuro e cuja porta tentamos manter trancada, muitos sem a noção que tudo que ali está, mesmo trancafiado, continua atuando sobre nossas ações. Aceitar que todos temos um lado obscuro é poder nos dar a chance de levarmos a luz à base de nossos comportamentos e sentimentos, dando consciência ao que somos e fazemos. Este texto também poderia ser chamado de "A escuridão que ilumina!".

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