Publicado em: 05/10/2017 16h47 - Atualizado em 10/10/2017 15h22

Estado adota novo programa de mediação de conflitos em escolas

Projeto já conta com diversos profissionais capacitados nas unidades

Adriana Brumer Lourencini
Werner Münchow Episódios incluem agressões, bullying e condutas de indisciplina dentro das escolas
A Secretaria de Estado da Educação divulgou que irá ampliar o programa de mediação de conflitos nas escolas. Um educador em cada uma das cinco mil unidades da rede estará apto para a função; e em 1.795 escolas haverá um segundo profissional na mesma função, para que trabalhem em conjunto.
Atualmente, os vice-diretores das 21 escolas estaduais de Indaiatuba já são responsáveis pela mediação; o mesmo ocorre com os profissionais de 2,3 mil instituições de ensino. A partir de outubro, todos os vice-diretores irão passar por capacitação virtual, elaborado pela Escola de Formação e Aperfeiçoamento dos Professores (Efap), da Secretaria.
Atualmente a rede conta com 1,2 mil professores-mediadores. Dessa forma, o programa passará de 3,5 mil (2,3 mil vice-diretores e 1,2 mil professores) para 6.795 educadores (cinco mil vice-diretores e 1.795 professores).
O principal objetivo é conhecer a fundo o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), além de aprender técnicas de justiça restaurativa. De acordo com a assessoria da Pasta, o projeto busca apoio de estudantes e, principalmente, familiares, já que a origem dos conflitos está nos lares.
A secretaria informa que conta ainda com apoio do Ministério Público e dos Conselhos Tutelares, pois, muitos pais não acompanham a vida escolar dos filhos. A ação em conjunto visa eliminar ou, ao menos reduzir esses conflitos.
Outra novidade é a criação de um critério que mescla vulnerabilidade social e notificação de casos de violência à secretaria, para definição das escolas que terão dois profissionais de mediadores. Atualmente, a distribuição ocorre de acordo com indicação de cada Diretoria Regional de Ensino, sem um estudo mais aprofundado que relacione o ambiente social que a escola está inserida.
Atualização
Foram cruzados dados do Índice Paulista de Vulnerabilidade Social (IPVS) e do Registro de Ocorrência Escolar (ROE), que permite que as unidades notifiquem qualquer tipo de caso de violência. As 1.795 escolas são justamente as que estão em áreas mais vulneráveis e também registraram ao menos um caso no ROE nos últimos três anos seguidos.
Dessa forma, a secretaria quer incentivar a atualização constante do sistema para que se conheça de maneira mais completa o quadro de violência na rede e seja possível atuar de forma mais precisa. A proposta é que o grupo seja revisto a cada dois anos.
A dirigente de ensino de Capivari, Deise Regina de Godoy, considera bastante gratificante saber que o programa de mediação será expandido. "Os alunos precisam ser ouvidos e o profissional de mediação tem o objetivo de saber o que está acontecendo com esses estudantes. Os mediadores vêm fazendo excelente trabalho sobre a cultura de paz, o que diminui o número de incidentes nas escolas", comenta.
Um levantamento feito pelo Sistema de Proteção Escolar da Pasta, com 2,2 mil unidades de ensinos fundamental e médio, mostrou que nos últimos três anos 70% diminuíram episódios de violência e incidentes. A lista inclui bullying, agressões e indisciplina.

Mais da metade dos professores da rede estadual já sofreu violência

Pixabay Situação compromete futuro educacional e profissional
Agressão verbal ou física, furto, discriminação e bullying são tipos de violência que, infelizmente, estão presentes no dia a dia da maioria das escolas estaduais de São Paulo. Uma pesquisa realizada pelo Instituto Locomotiva, a pedido do Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp), aponta que 85% dos professores souberam de casos de violência nas escolas estaduais onde trabalham e 51% afirmaram que já foram vítimas de violência no ambiente escolar.
Entre as situações de violência que mais da metade dos professores afirma já ter sofrido, 44% falaram em agressão verbal, 9% em discriminação, 8% em bullying e 5% em agressão física. O percentual de professores que declara ter sofrido algum tipo de violência na escola em que trabalha passou de 44% (em 2013/2014) para os atuais 51%. Já o número de alunos vítimas de violência saltou de 28% para 39%.
Além de professores e estudantes da rede estadual, a pesquisa ouviu também os pais e a sociedade, que demonstraram grande preocupação em relação ao aumento da violência nas escolas. Para 87% da população, 79% dos pais, 73% dos estudantes e 84% dos professores, a violência nas escolas estaduais aumentou nos últimos anos. A sensação de insegurança nas unidades também é alta, sendo que 45% dos pais, 48% dos estudantes e 37% dos professores não se sentem seguros no ambiente escolar. 
Reflexos
"O quadro é gravíssimo. Se é verdade que se trata também de um reflexo da violência que existe na sociedade, não basta constatar esta realidade. É preciso saber como as autoridades educacionais e a comunidade vão lidar com uma situação que ocorre dentro das próprias unidades escolares", comenta a professora e presidente da Apeoesp, Maria Izabel A. Noronha.
Para o autor da pesquisa e presidente do Instituto Locomotiva, Renato Meirelles, o estudo "deixa claro que a escola, que deveria ser um espaço seguro e acolhedor, é hoje um ambiente tão ou mais violento que as ruas do nosso Estado". Ele também alerta que, caso a questão não seja tratada a tempo, "poderá comprometer o futuro educacional e profissional de toda uma geração".
Os entrevistados apontaram drogas e álcool, o conflito entre estudantes e a falta de policiamento são as principais causas que contribuem para a violência nas escolas estaduais. Os professores a-
crescentaram que a educação em casa é fator essencial em situações de conflitos.
Já em relação às soluções possíveis frente à violência, os participantes foram unânimes em indicar investimentos em cultura e lazer, além de aumentar o policiamento no entorno das escolas.

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