Publicado em: 11/10/2017 15h18 - Atualizado em 18/10/2017 17h03

As competências da próxima década - parte VII

Marcelo Veras
"A inteligência das inteligências"
Em sexto lugar na lista das 10 competências que mais serão valorizadas na próxima década está a Inteligência Emocional. Conceito relativamente recente, pelo menos no mundo do trabalho e da educação. Bem recente, se compararmos com as décadas (e séculos) onde a capacidade de retenção e memorização de conhecimentos era sinônimo de inteligência.
Lembro-me do tempo em que se media a inteligência de uma pessoa quase que exclusivamente por um teste de Q.I. (Quociente de Inteligência). Pois bem, esse método e seus resultado demonstram uma maior capacidade de lidar com questões de memorização, associação e lógica. Ou seja, quem tem alto QI tem sim maior probabilidade de se dar melhor em áreas científicas e de pesquisa, na minha visão.
Porém, o mundo do trabalho é mais amplo do que áreas de pesquisa e desenvolvimento. Estimo que mais de 80% das pessoas trabalham com pessoas e para pessoas. Então, para que serve um alto Q.I. se eu não sei lidar com pessoas, se não sei trabalhar em equipe, se não tenho equilíbrio emocional, empatia ou comprometimento? Na verdade, serve para muito pouco. Pesquisas recentes mostram que a relação entre Q.I. e sucesso profissional não é linear.
Quem não conhece alguém que era o melhor aluno da sala, tirava nota 10 em tudo, mas a carreira não decola? E o contrário? Quem não conhece alguém que nem era o melhor da sala, mas que tinha outras características como bom relacionamento, empatia e se deu muito bem na carreira que escolheu? Na verdade, está provado que o termo "inteligência" precisa de um complemento e, portanto, não se define por si só. O conceito de inteligência não pode ser definido para um número.
Pois bem, como não existe um consenso sobre o nome e as habilidades de todas as competências, não será incomum você encontrar um modelo que não a contemple. No meu caso, ela não aparece (com este nome) nas 27 competências que mapeei. Na minha visão esse termo engloba um conjunto de competências que, com frequência, faço questão de retomar aqui. Equilíbrio emocional, relacionamento interpessoal e empatia estão entre elas. O mundo precisa de pessoas menos "inteligentes" e mais humanas.
Portanto saiba que, nesta próxima década, as pessoas serão mais valorizadas pela sua capacidade de serem humanas do que pelo resto. Raciocínios e cálculos matemáticos ficarão por conta dos computadores, mas o grande diferencial do ser humano será "ser humano".
Até o próximo!

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