Publicado em: 29/11/2017 14h16 - Atualizado em 01/12/2017 17h14

Fatores primários, fatores secundários

Paulo Antolini é psicólogo, psicoterapeuta, practitioner de programação neurolinguística, administrador e consultor de empresas. Fones: (19) 3834-8149 / (19) 99159-2480 Email: paulo.salvio@terra.com.br

Mãe jovem, com pouco mais de quarenta anos, tem seu filho mais velho estudando fora do país. Realizando seu sonho de fazer medicina. No aguardo da última nota para vir já de férias, ele verificou que ela só será informada após quinze dias da prova. Se não tiver atingido os pontos necessários, há uma prova cinco dias após.
Queria vir e caso não fosse aprovado retornaria para a prova. Imaginem o custo que isso representaria. Ela pediu que ele esperasse a nota sair e então viria com a famosa afirmação: "missão cumprida".
Dois dias após recebe a informação de que ao ir à casa de um colega de faculdade, fora assaltado e surrado pelos bandidos, que levaram seu dinheiro e seu celular. Após o choque inicial e mesmo tendo a certeza que ele estava bem, ficou nela forte sentimento de culpa por não tê-lo deixado vir.
Ao atendê-la e deixa-la desabafar todo seu desespero e dor, conforme foi se acalmando pude perguntar a ela: "Se ele tivesse vindo e isso acontecesse aqui, você se sentiria culpada por não tê-lo feito ficar lá?". E então ela se percebeu frente ao inevitável. Não é possível prever os acontecimentos que não estão sob nosso controle. Eles apenas acontecem. Contou-me que dias antes havia acontecido algo semelhante em um bairro vizinho ao seu.
Quando ocorre algo que nos sobressalta devemos nos ater aos fatores primários da ocorrência, no caso, que ele foi assaltado, surrado e teve levado seu dinheiro e celular. Que se encontra com as dores da surra, porém nada que tenha comprometimentos de saúde física. Olhar apenas os fatores primários é eliminar os "ses". "E se ele tivesse morrido, e se ele tivesse ficado paralítico" e outros "ses" mais.
São os fatores secundários que alimentam e mantém os estados de desespero de uma pessoa. Dar importância à eles é tão comum em nossa sociedade que a grande maioria das pessoas que o fazem vivem em constante estado de sobressalto e sofrimento.
Sabe aquela freada que a pessoa deu e evitou o atropelamento da criança que atravessou a rua sem olhar? Não atropelou. Parou a um palmo da criança. O susto foi enorme para a pessoa e para a criança. O quase não deve ser cultivado. "Quase matei, quase atropelei" e assim por diante. O evento deve levar a pessoa a raciocinar sobre sua participação no ocorrido e se identificado algo, fazer por modificar.
O estudante deve pensar no caminho que fez e os riscos que sabia ou não existir ali, se estava ostentando seu celular, o que poderia ter chamado a atenção dos infratores. O motorista, se estava em velocidade acima do normal, se, embora tenha parado à tempo, se estava distraído.
São "ses" do fato e não imaginários.
Olhar os fatores primários nos permite ter ações efetivas sobre as circunstâncias. Os fatores secundários apenas trazem situações imaginárias, sem possibilidades de ações, mas com grandes sofrimentos agregados.

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