Publicado em: 16/11/2017 14h28 - Atualizado em 17/11/2017 16h50

Arqueologia e Cultura Material

Carlos Gustavo Nóbrega de Jesus é Superintendente da Fundação Pró-Memória e Doutor em História Cultural e Pesquisador da Unicamp/IFCH

Nas últimas colunas, chamei a atenção como o estudo do passado no Brasil tem muito o que aprender com as experiências do nosso vizinho Peru. E isso se deve, essencialmente ao trabalho de valorização da prática arqueológica naquele país. No entanto, o que é Arqueologia? O sentido etimológico da palavra vem do grego arkhé "antes, o que veio primeiro, velho", mais logos "tratado, estudo". Segundo Maria Cristrina Mineiro a arqueologia é uma ciência social que "visa estudar os antigos e novos processos históricos pela via dos inúmeros vestígios materiais deixados pelo homem". (SCATAMACCHIA, 2005, p. 19). Ou seja, diferentemente do que vulgarmente se pensa a arqueologia não trabalha somente com vestígios pré-históricos ou históricos muito antigos, mas com todo aquele vestígio deixado pelo homem, independente da questão temporal. Mas será que é só isso? Vejamos que antes de tudo não se pode descartar o fato que o desenvolvimento de tal ciência está intimamente ligado ao avanço da relevância da cultura material como fonte histórica. Situação até pouco desprezada pelo fato da História tradicional ter como característica o uso da documentação escrita como a principal matéria prima na construção do conhecimento historiográfico. Dentro dessa perspectiva a valorização das fontes materiais só veio ocorrer nos anos 1960 e 1970, principalmente a partir do debate da História com a Antropologia. Essa situação auxiliou e muito a Arqueologia que até então se beneficiava do incentivo que teve a cultura material no começo do XIX, época da caça aos tesouros em que os colecionadores, nobres dos grandes Impérios Coloniais, expunham tais objetos em seus gabinetes de curiosidades, sem nenhuma problematização histórica e ou social. A partir do momento que a História começou a valorizar as fontes materiais, automaticamente levou-se para a Arqueologia conceitos caros à ciência histórica, como por exemplo a relevância do contexto social e dos diversos tempos históricos. Assim, a História pode valorizar os povos sem escritas e a arqueologia, por sua vez, pôde se beneficiar da escrita para um olhar social de sua prática, que aos poucos abandonou a análise excessivamente comparativa e descritiva da cultura material, e passou a salientar o uso tais fontes para entender a dinâmica das mudanças sociais no espaço e no tempo histórico, a partir de um olhar cultural diversificado e não valorativo.

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