Publicado em: 30/11/2017 13h33 - Atualizado em 01/12/2017 17h14

A História da Arqueologia

Carlos Gustavo Nóbrega de Jesus é Superintendente da Fundação Pró-Memória e Doutor em História Cultural e Pesquisador da Unicamp/IFCH

A Arqueologia é uma ciência que surgiu no século XIX, resultado do processo imperialista internacional, ou seja, na busca de entender melhor as origens dos povos para melhor explorá-los as potências europeias investiram em uma ciência que buscasse e organizasse seus vestígios materiais. Até então o trabalho de recolha desse material era feito pelo Antiquário, principalmente voltado para as civilizações antigas como Grécia e Roma.
Com a sistematização da prática e institucionalização da nova ciência, as escavações possibilitaram novos olhares não só para as civilizações clássicas, mas também para o próprio desenvolvimento da humanidade. No entanto, segundo o professor Pedro Paulo Funari (2013, p.23) a prática arqueológica se tornou algo institucional apenas a partir de 1829, com a criação do Instituto de Correspondência Arqueológica de Roma. Até então, as escavações eram fruto de trabalhos individuais, com financiamentos privados.
A institucionalização da arqueologia ajudou a sistematizá-la como ciência e disciplina, mas também a tornou instrumento do Estado, o que se refletiu em suas posturas políticas e ideológicas. Assim, por muito tempo, a arqueologia dialogou com o juízo de valor cultural, próprio das ciências humanas, que juntamente com a leitura eurocentrista, militarista e nacionalista dos países Imperialistas deu o tom da disciplina.
Devido a isso, a busca da cultura dos grandes nomes e grupos sociais mais abastados do passado ganhou a supremacia nas escavações que passaram a ser influenciadas pela ideologia imperialista, própria dos Estados Nacionais que financiavam tais empreitadas. Inclusive, foi a partir desse olhar, que se levantou teorias a respeito da origem do homem na América, como a tese de que os primeiros seres humanos a habitarem o continente teriam vindo da Rússia para os Estados Unidos pelo estreito de Bering, 13 mil anos antes do presente, ou AP (forma de datar descobertas arqueológicas pela qual o dia 1º de janeiro de 1950 marca o "presente"). Tese que ainda é aceita por algumas linhas de pesquisa dentro da antropologia e arqueologia.
No entanto, após a Segunda Guerra Mundial, a disciplina passou a dialogar com os novos tempos de avanços nas áreas sociais, políticas e culturais. A antropologia cultural de Lévi-Strauss (que contribuiu para o fim da divisão entre desenvolvimentos culturais superiores e inferiores), os movimentos sociais em prol dos direitos civis contra a exploração colonialista e a favor da diversidade étnica e de gênero repercutiram com força na arqueologia, inclusive no Brasil, que mesmo com todas as dificuldades contribuiu enormemente para esse avanço da disciplina.

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