Publicado em: 07/12/2017 14h01 - Atualizado em 08/12/2017 20h32

Demitido na festa

Marcelo Veras
Quem me conhece sabe das minhas opiniões convictas sobre como uma carreira deve ser conduzida. Essa longa jornada, a qual chamo de maratona, exige muito de nós. Exige foco, determinação, objetivos claros, resiliência, convicção, humildade e desenvolvimento contínuo. Manter essa pegada ao longo de anos, até que os frutos comecem a ser colhidos, exige, sobretudo, concentração. Muita concentração. E como sempre digo, uma falha de concentração pode jogar no lixo muita coisa já conquistada. É como dirigir um carro. Em um segundo de descuido ou desatenção e pimba! Poste na cabeça!
Aos meus alunos, durante as minhas aulas de planejamento de carreira, sempre reforço que só há uma forma de não cometermos esse tipo de erro: radicalizar. O termo radicalismo é forte e sei que incomoda alguns, mas como a fronteira para se cometer erros que possam acabar com uma carreira é da largura de um fio de cabelo, não há outra maneira de zerar a possibilidade de um tombo. Volto a dizer: radicalizar. Mas, afinal, o que quero dizer com radicalizar?
Nas festinhas de final de ano, invariavelmente há um convidado, que nem trabalha na empresa, mas é sempre convidado para essas ocasiões - o álcool. Ai que beleza, uma cervejinha gelada na faixa, um bom vinho ou uma caipirinha de frutas vermelhas. Tudo na faixa. Olha que legal! É, de fato é muito legal mesmo, até o momento em que este convidado começa a dominar a corrente sanguínea da galera e deixar todos mais "soltinhos". Esse é o momento crucial! É aí que o estrago começa a se desenhar. Um sorrisinho aqui, uma piadinha ali, uma dancinha aqui, uma mãozinha ali, um elogiozinho aqui, uma dancinha mais ousada aqui, e foi-se uma reputação ou, pior, foi-se uma carreira naquela empresa ou naquele departamento.
Essa é a tragédia mais premeditada que existe. É mais fácil de prever que o resultado de um jogo entre a seleção da Alemanha e o time que ficou em último lugar na quarta divisão do campeonato brasileiro. Todos os anos, repito, todos os anos, centenas (talvez milhares) de pessoas afundam suas reputações nesse tipo de situação, sempre em função de álcool na cabeça.
Portanto, minha dica hoje é uma só: Não deixe que a sua maratona seja comprometida por causa de um deslize. Encare a festa de natal da sua empresa como uma atividade profissional. De preferência, não beba nada alcoólico. Mas se beber, faça com moderação e beba muita água enquanto toma o chopinho. E pare assim que perceber que está ficando alegrinho demais. Vai por mim, sua carreira vai agradecer! Até o próximo!

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