Publicado em: 10/01/2018 16h08 - Atualizado em 12/01/2018 20h52

Diversidade cultural e seus riscos "Ignorar a diversidade pode custar caro"

No final do ano passado, mais precisamente no início de dezembro, durante uma das minhas aulas de planejamento de carreira, discutimos a competência chamada "Diversidade cultural". Durante o debate, citei vários termos que possuem conotações muito negativas para algumas pessoas e que, às vezes, usamos sem perceber e podemos destruir relações sem nem sequer notarmos. Um deles foi um termo chamado "judiação". Ai que judiação, ele caiu e se machucou! Conhece alguém que usa este termo? Pois bem, se conhece, faça o favor de informar esta pessoa que isso, ouvido por alguém da religião judaica, é muito desagradável, para não usar outro nome.
Pois bem, nesta competência discutimos suas três habilidades: conhecer, respeitar e conviver. Como você pode ver, em primeiro lugar vem o "conhecer", ou seja, saber um pouco sobre cada cultura, orientação sexual, religiosa e assim por diante. Se não conhecemos, como poderemos respeitar e, depois, conviver? Impossível. Neste caso, a ignorância (no sentido literal) não permite avançar para as duas habilidades seguintes.
Com certeza já cometi alguns deslizes em relação a isso, mas busco sempre ficar muito atento, porque o preço pode ser alto.  Vejam o que aconteceu recentemente numa festa de Natal de uma empresa de grande porte aqui no Brasil. O fato foi bem noticiado pelas redes sociais e pela imprensa. Os funcionários resolvem fazer um concurso de fantasias na festa de Natal e a turma, como se diz por aí, botou para quebrar na criatividade. Do negão do whatsapp até as branquelas, tudo foi usado como muita irreverência e "bom humor". Um único detalhe: a empresa em questão, que tem a matriz nos Estados Unidos, além de não gostar nada da brincadeira, demitiu sem dó alguns dos líderes que deixaram isso acontecer.
Quem conhece um pouquinho (um pouquinho mesmo) da cultura americana sabe que isso é inadmissível ali. As demissões foram muito debatidas nas redes sociais durante o início de janeiro. Eu mesmo fui citado em alguns desses calorosos debates em função do meu artigo do início de dezembro de 2017 (demitido na festa), quando levantei o tema, como faço todo mês de dezembro, para alertar sobre os riscos de comportamentos inadequados em festividades de empresa. Neste último, a minha frase de destaque foi: "Festa da empresa não é festa, e sim trabalho". Sei que muitos não concordam com essa visão quase radical, mas parece que tenho capacidade de premonição, o que não é verdade. Apenas acompanho de perto tudo relacionado à gestão de carreira e sei muito bem como as empresas tratam de tais comportamentos. Neste caso em particular, o meu nível de surpresa foi zero. Já vi isso muitas vezes e, infelizmente, todo ano o caso se repete. Profissionais que se esquecem de que ambiente de trabalho não local para certas coisas e acabam pagando um preço alto por este esquecimento. 
Neste caso específico, além do mal gosto da iniciativa, eles "se esqueceram" de que em determinadas culturas, certos tipos de brincadeiras não são vistas como brincadeiras, mas como ofensas, discriminação e falta de respeito. Lamentei muito o caso, mas ele deixa uma lição muito clara de como a diversidade cultural e o mundo globalizado em que vivemos exigem de nós uma atenção redobrada e um respeito intocável por outras culturas. Até o próximo!

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