Publicado em: 11/01/2018 16h59 - Atualizado em 12/01/2018 20h52

Custo da água na cidade é um dos mais caros

Muitos se assustam com o valor e indicam o banho como o principal vilão do consumo

Adriana Brumer Lourencini
Assessoria Comunicação Saae Autarquia aponta distorções da inflação e custos de manutenção para os reajustes, possibilitando manter os serviços
Um levantamento realizado este ano pela EPTV de Campinas, emissora afiliada da Rede Globo, revelou que Indaiatuba possui uma das taxas mais caras de água, entre os dez maiores municípios da região. Na cidade, o valor cobrado pelo consumo de até dez metros cúbicos (m³) de água por mês é de R$ 45,33 - sendo R$ 23,85 para o tratamento e R$ 21,48 para o serviço de afastamento de esgoto.
O valor da tarifa foi reajustado recentemente, e muitos consideram o custo bem salgado. "Os valores aqui às vezes me assustam", declara Elisabeth Coelho, do Jardim do Sol. "Acho um absurdo o custo do afastamento de esgoto", continua. "Pago em média uns R$ 170 por mês e, para piorar havia um vazamento e eu não sabia. Fiz um acordo com o Saae e a conta este mês ficou em R$ 240; muito pesado", lamenta Beth.
A cabeleireira diz ainda que o consumo maior se concentra nas tarefas domésticas e banhos. "Eu não lavo muito quintal, mas tenho filho adolescente; acredito que o banho seja o maior responsável pelo gasto de água", pondera.
"Acho o valor extremamente alto, como todas as taxas em nossa cidade", emenda Daniela Cavalcanti, também moradora do Jardim do Sol. "O custo mensal chega a R$ 230. Já procuramos ver se existe algum vazamento, coisas assim. Nosso consumo maior é no uso da máquina de lavar, pois, somos quatro adultos com duas atividades diferentes por dia (trabalho/faculdade), trocamos de roupas varias vezes e levamos essas roupas para a máquina", explica. Ela afirma que reduziu as lavagens do quintal, mas não viu diferença no valor. "Os banhos também são os grandes vilões do consumo aqui em casa", completa Daniela.
Já no ano passado, Maria Zuleide Bezerra da Silva pagava a média de R$ 60 mensais pelos serviço. "Mesmo usando a água da máquina para lavar o quintal as taxas são altas porque ainda pagamos a taxa de esgoto", opina. "Eu até devolvo a água para a máquina e assim lavo os panos de chão; e ainda evito lavar a calçada mais vezes, para tentar diminuir a conta, mas não resolve muito", observa.
Alternativas
As tarifas de água e esgotos cobradas pelo Serviço Autônomo de Água e Esgoto (Saae) foram reajustadas em 6,96 % e 2,70% respectivamente, e passam a valer a partir de fevereiro de 2018. Os percentuais têm base na Resolução nº 217 da Agência Reguladora dos Serviços de Saneamento das Bacias dos Rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí (ARES PCJ), após avaliação criteriosa dos relatórios de resultados e custos apresentados pela autarquia.
Conforme a assessoria da Agência, o reajuste da tarifa visa corrigir as distorções proporcionadas pela inflação dando condições à autarquia de manter os serviços prestados à população. Além disso, a taxa custeia a operação da captação, tratamento e distribuição de água; já o valor do serviço subsidia a coleta, afastamento e o tratamento do esgoto.
A aposentada Cida Lanci, por outro lado, considera o valor razoável e fala que utiliza medidas simples de economia. "Nunca paguei acima do valor mínimo. Temos dois cachorros e utilizamos a água da máquina para limpar o quintal; além disso, como tenho agora uma máquina maior, espero acumular mais roupas para lavar, o que gera economia maior. Também armazenamos água do chuveiro em um balde, o que diminui bastante o uso da descarga no banheiro", conclui.

Disponibilidade de recursos hídricos pode ser afetada em 2018

Adri Lourencini Consumo com consciência pode evitar desperdícios
Após uma análise comparativa dos dados meteorológicos de 2017 e levantamentos de anos anteriores, o Consórcio PCJ constatou que o volume de chuvas nas Bacias PCJ e as vazões dos rios que desembocam no Sistema Cantareira estão bem similares ao cenário verificado no ano de 2013, pré-crise hídrica.
De acordo com os analistas, a situação merece atenção, porque, caso as chuvas no início de 2018 não ocorram de forma consistente a chance de dificuldades com a disponibilidade de água durante o próximo ciclo de estiagem é muito grande. Isso porque os institutos meteorológicos internacionais alertam para a ocorrência do fenômeno La Niña, o que acarreta fortes secas na região sudeste.
As precipitações nas Bacias PCJ estão ocorrendo abaixo da média que é de 1.500 milímetros (mm). Em 2012, iniciou uma tendência de chuvas menos volumosas, com 1.460 mm, depois em 2013, 1.110 mm, tendo seu menor índice em 2014, durante o ápice da crise hídrica, com míseros 874 mm.
Em 2015, houve recuperação, quando choveu 1.283mm; e em 2016, 1.468 mm. Porém, no ano passado ocorreram chuvas mais escassas nas Bacias PCJ, com volumes na ordem de 1.306 mm, demonstrando novamente uma perspectiva de queda. Já nos dez primeiros dias de janeiro de 2018 choveu em média 30% do esperado para o mês.
No sistema Cantareira, apesar das precipitações acima da média dos últimos anos, os reservatórios voltaram a apresentar volumes baixos, com 1.259mm (o esperado é de 1.300 mm).
Prevenção
Sobre o fenômeno La Niña, os técnicos do Consórcio PCJ indicam que poderá provocar estiagem nas regiões Centro-Oeste, Sudeste e, principalmente Sul. O Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos (CPTEC) do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) aponta que há maior chance do La Niña predominar no próximo trimestre, com duração prevista pelo menos até o mês de abril. O padrão poderá ainda favorecer a ocorrência de chuvas acima da média na região norte do país.
Segundo o coordenador de projetos do Consórcio PCJ e responsável pelo Programa de Monitoramento das Águas, José Cezar Saad, o comportamento das chuvas no início de 2018 vai dizer o que esperar da estiagem que iniciará em abril. "Os eventos climáticos extremos, que verificamos nos últimos anos, somada a possibilidade de ocorrência de um "La Niña", causam muita atenção, especialmente porque os cenários de 2013 estão se repetindo e com tendência de queda nos volumes de chuvas. Também é preocupante o comportamento do consumo de água, que nos últimos dois anos voltou a aumentar, depois de ter diminuído e mantido estável por causa da crise hídrica", disse.
Ele fala também que os investimentos em obras estruturais é o melhor caminho para se enfrentar uma provável crise hídrica. Entre as ações, Saad cita a construção e desassoreamento de reservatórios municipais, bacias de retenção em áreas rurais e piscinões ecológicos em regiões urbanas; além das campanhas de sensibilização ambiental sobre consumo racional, a busca por fontes alternativas de água, o combate às perdas e a proteção de nascentes e matas ciliares.

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