Publicado em: 31/01/2018 12h48 - Atualizado em 01/02/2018 15h59

Ridley Scott está de volta em Todo o Dinheiro do Mundo

Repleto de polêmicas, filme tem uma indicação ao Oscar 2018

Fábio Alexandre
Divulgação Christopher Plummer foi chamado às pressas para substituir Kevin Spacey após denúncias
Ridley Scott parece enfrentar uma maré ruim nos últimos anos. Desde Prometheus, o diretor emendou trabalhos mal recebidos não só pela crítica especializada, mas também pelo público. Êxodo: Deuses e Reis e Alien: Covenant ilustram esta fase do diretor que concebeu os clássicos Alien: O Oitavo Passageiro e Blade Runner.
Mas nem só da falta de criatividade tem sofrido o cineasta. O escândalo dos abusos em Hollywood, que teve início em 2017, atingiria em cheio a sua mais nova produção, Todo o Dinheiro do Mundo, que estreia no Topázio Cinemas. Isso porque Kevin Spacey, um de seus protagonistas, foi denunciado e rapidamente cortado da produção, que já estava finalizada.
Foi então que Scott conseguiu escalar, às pressas, o veterano Christopher Plummer - que, aliás, era a sua primeira opção, no início da produção - para refazer todas as cenas de Spacey. Foi um trabalho ágil e que não é sequer percebido pelo espectador. Mas outra polêmica viria, com Michelle Williams revelando ao mundo que seu cachê para a refilmagem foi muito menor que o recebido por Mark Wahlberg, que acabou doando boa parte do montante para uma ONG de apoio às mulheres que sofrem abusos.
Arrastado
As histórias dos bastidores de Hollywood costumam ser ótimas, e talvez toda a polêmica que envolveu Todo o Dinheiro do Mundo seja muito mais interessante e importante do que a história do sequestro do neto do magnata do petróleo John Paul Getty (Plummer), que se recusou a pagar o resgate. Apesar do ar de superprodução, o roteiro de David Scarpa é problemático, principalmente em dois pontos.
Primeiro: o filme tem longos 132 minutos. Scott e Scarpa exageram ao bater na mesma tecla a todo instante e mostrar como Getty era ávido por dinheiro. O personagem de Plummer não se desenvolve e termina exatamente do mesmo jeito que o conhecemos, no início da projeção. Assim, a indicação de Plummer ao Oscar de ator coadjuvante pode ser vista como pura militância, ou talvez um reconhecimento ao ator de quase 90 anos, que fez um ótimo trabalho em apenas um mês.
Segundo: ao final, tomamos conhecimento que Scott e Scarpa tiveram liberdade para tornar a história mais interessante ao público, porém, o filme nunca mostra agilidade ou tensão características de produções deste quilate, como vemos em O Destino de Uma Nação, por exemplo.
O design de produção e a reconstrução da década de 70 são competentes e a fotografia merece menção. O elenco está muito bem naquilo que lhes é proposto, embora ninguém faça um trabalho primoroso, que ficará marcado em suas carreiras. Como visto nos primeiros trailers, a grande surpresa de Todo o Dinheiro do Mundo seria a maquiagem que envelheceria Kevin Spacey em 30 anos. Com isso, fica a pergunta: será que com ele ali, o resultado seria diferente? (colaborou Angelo Cordeiro)

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