Publicado em: 08/02/2018 15h52 - Atualizado em 09/02/2018 17h25

Três Anúncios para um Crime tem sessões de pré-estreia no Topázio

Fábio Alexandre
Divulgação Woody Harrelson e Frances McDormand vivem relação conflituosa após crime hediondo
Depois de levar o Oscar de Melhor Curta-Metragem em 2006, com Six Shooter, e ser indicado a Roteiro Original em 2009, com Na Mira do Chefe, o irlandês Martin McDonagh volta às premiações com Três Anúncios para um Crime, mais uma história de sua autoria, indicado a oito Oscar. O filme, que chega às telonas no dia 15, terá sessões de pré-estreia no Topázio Cinemas.
Na trama, acompanhamos Mildred Hayes (Frances McDormand, de Fargo), uma mãe que perdera a filha de forma trágica e que aluga três outdoors em uma estrada na cidade de Ebbing para divulgar uma mensagem e afrontar a polícia local, chefiada por Bill Willoughby (Woody Harrelson, de Planeta dos Macacos - A Guerra).
McDonagh entrega seu trabalho mais maduro. Há diversas desconstruções de clichês e personagens profundos e ambíguos, sem maniqueísmos. É natural e humana a maneira com que ele trata todos e é elogiável sua facilidade em transitar entre a comédia e o drama. Prova disso são as indicações de McDormand para melhor atriz, e de Harrelson e Sam Rockwell para ator coadjuvante.
Aliás, McDormand é a "dona" do filme. Sua personagem, desde o princípio, não se revela uma mocinha ou heroína em busca de redenção. É apenas uma mulher querendo justiça a qualquer preço, sem se importar com o certo ou errado - o diálogo de Mildred com Willoughby nos balanços é crucial neste ponto.
A dupla de policiais Willoughby e Dixon também merece destaque. Sam Rockwell incorpora o típico norte-americano do interior, eleitor de Donald Trump. É bruto, esquentado, racista, homofóbico, inexperiente e só está em seu cargo graças aos panos quentes que Willoughby coloca. Porém, é muito mais do que vemos em um primeiro momento.
Atual
Extremamente atual, Três Anúncios para um Crime também tem seu lado político, mesmo que não explícito. Mais uma brilhante maneira de McDonagh expor suas críticas sem tirar força de sua trama, está tudo inserido em suas linhas de diálogos de maneira orgânica. Pode ser comparado com A Qualquer Custo, de David Mackenzie, e escrito por Taylor Sheridan, cujos personagens são corrompidos pelo ambiente que os cercam.
O novo filme de Martin McDonagh, vencedor de quatro Globos de Ouro e também indicado ao Oscar de Melhor Filme, Diretor, Roteiro Original, Edição e Trilha Sonora, é uma crítica aberta a uma sociedade hipócrita e preconceituosa, que carrega em si um humor que não chega a ser mórbido, mas incomoda profundamente. Vale a pena conferir.
(colaborou Angelo Cordeiro)

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