Publicado em: 28/02/2018 15h09 - Atualizado em 02/03/2018 15h43

Sustos fáceis fazem suspense perder força

A Maldição da Casa Winchester tem boa premissa, mas acaba se desviando em roteiro fraco

Fábio Alexandre
Divulgação Dr. Price (Jason Clarke) é convocado para testar sanidade mental da viúva Sarah Winchester (Helen Mirren)
Casas amaldiçoadas ou mal-
assombradas são praticamente um subgênero no terror. Desafio do Além (que ganhou um remake em 1999 com o nome A Casa Amaldiçoada), A Casa dos Maus Espíritos (remake em 1999 com A Casa da Colina), A Casa de Cera (1953 e 2004) e Os Outros (2001) são alguns dos filmes mais conhecidos que trouxeram casas assustadoras e entraram para a história do cinema.
Os irmãos Spierig parecem ter adorado mexer com o terror. Depois de dirigirem Jogos Mortais: Jigsaw (2017), continuam no gênero, agora com A Maldição da Casa Winchester, que estreia no Topázio Cinemas.
Na história que os irmãos escreveram, a viúva Sarah Winchester (Helen Mirren, de Decisão de Risco) é a rica herdeira da fábrica de rifles Winchester, que tem sua sanidade questionada pelos demais membros da diretoria por afirmar que existem diversos fantasmas em sua mansão. O médico Dr. Price (Jason Clarke, de Mudbound: Lágrimas Sobre o Mississipi) é convocado para ir até a mansão e dar um parecer sobre o estado mental da viúva.
Se a história real de uma casa mal-assombrada com mais de um século de idade, dezenas de andares e centenas de cômodos onde, supostamente, fantasmas vagavam pode parecer assustadora, isso fica só no nosso imaginário. Na vida real, assim como no filme, a mansão esteve em reformas 24 horas por dia durante anos, pois, segundo Sarah Winchester, os espíritos das vítimas das armas de sua fábrica apareciam querendo vingança. Ela então os trancava em diversos cômodos e construía mais deles com o passar do tempo. Em A Maldição da Casa Winchester, o foco fica em apenas um desses espíritos, o que é uma pena.
Os irmãos Spierig não conseguem acertar em nada. Imagine uma casa mal-assombrada com um fantasma em cada quarto. Nada disso é mostrado. Pouquíssimas vezes vagamos pelos corredores da casa de sete andares e sua centena de cômodos, mas a rotina dos moradores é concentrada sempre nos mesmos ambientes. Onde estão os outros moradores? Conhecemos apenas três deles, enquanto os demais entram e saem misteriosamente.
Médium
Helen Mirren deveria estar atormentada para entrar em um projeto onde sua atuação se resume a imitar uma médium que nunca se decide entre ser assustadora ou assustada. Jason Clarke parece ter a mão podre para escolher projetos e mais uma vez entra em um barco que afunda. Seu Dr. Price é um beberrão e mulherengo, mas o que poderia ser uma interessante construção de paranoias e visões vira uma grande bobagem, apelando para sustos e esbarrões que viram humor involuntário.
A câmera dos Spierig é tão parada que é impossível não prever o que vai acontecer. Estamos em uma casa de sete andares, centenas de cômodos, portas bloqueadas e supostos espíritos espalhados. Mas nada disso é explorado. As resoluções no terceiro ato são corridas e os personagens começam a adivinhar o que devem fazer, eliminado inimigos e sobrevivendo, como em um jogo de videogame.
Sobra espaço até para um draminha horroroso, que poderia ter ficado esquecido lá no início da história. Tomara que os irmãos Spierig se tranquem em casa e estudem bastante antes de se envolverem em um projeto tão insosso e, literalmente, sem alma quanto A Maldição da Casa Winchester.
(colaborou Angelo Cordeiro)

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