Publicado em: 14/02/2018 10h36 - Atualizado em 16/02/2018 16h16

O Carnaval acabou!

Paulo Antolini é psicólogo, psicoterapeuta, practitioner de programação neurolinguística, administrador e consultor de empresas. Fones: (19) 3834-8149 / (19) 99159-2480 Email: paulo.salvio@terra.com.br

O Carnaval acabou. (?)...! Será?
Cronologicamente ele terminou na quarta-feira de cinzas. No olhar do religioso acabou a época dos excessos e iniciou o período de restrições. No olhar do povo momento de descontração e de "expulsar os demônios", pulando, cantando até o sol raiar.
Período de fantasias, de fantasiar, de dar vida aos sonhos que nem sempre são sonhados, por suas impossibilidades de realizações. Nesses quatro dias (número simbólico, pois variam de local para local) muitos seguem a máxima do "tudo pode". Máxima que existe todos os dias do ano, mas nos demais dias é seguido pelo "nem tudo deve".
Sim, o ser humano tudo pode, mas nem tudo deve! Pode matar? Pode! Tanto que mata. Mas não deve. Pode roubar? Pode! Tanto que rouba, mas não deve. E nos dias dessa festa parte dos foliões apagam o complemento "nem tudo deve". Ficam só com o "Tudo Pode".
Para alguns são dias de descanso e retiro. Para outros, brincam saudavelmente e acordam inteiros. Alguns outros acordam com a famosa ressaca. Mas o que pega são aqueles que passado os efeitos de seus exageros, ficam com a famosa ressaca moral!
Em 6 de janeiro de 2007 publiquei "Ressaca moral". Eis um trecho desse texto: "Começa com a intenção de se divertir, atender necessidades pessoais, se auto afirmar e descontrair. Qualquer deles é o "start". Na sequência, a entrega à prática desmedida e exagerada do que se está fazendo: beber; drogar-se; comer; agredir; humilhar, etc. Quase simultâneo, uma sensação de saciedade, de "é o que eu precisava". Aí então, um período de reclusão, pode ser o sono, o desmaio, as horas que passam e então começa a surgir a "ressaca".
Logo depois, digo: "Passado os momentos de atendimento à sua necessidade, quando então já na ressaca moral, alguns choram, pedem desculpas e prometem que nunca mais irão fazer isso, outros, mais orgulhosos e não querendo reconhecer seu erro, agem rispidamente, até agressivamente, mas é apenas uma forma de manter os outros distantes e não permitirem sejam cobrados aquilo que para eles já está doendo e muito."
Valores que foram desprezados e que no "despertar" mostram suas existências, cobrando o seu esquecimento, isso para alguns. Para outros, nossa cultura vem há bom tempo pregando que são invencionices de "seres quadrados" e retrógrados, que não se permitem nem permitem aos outros a liberdade de expressão. Triste confusão com libertinagem.
Olhar o resultado colhido por todos nós. Está aí para quem quer ver. Não é o discurso de um moralista, como os chamo. É a constatação expressa no dia-a-dia dos consultórios e da vida.
Acordou e ao se lembrar do "ontem" sentiu um friozinho na barriga, um aperto no peito ou um secar a garganta? Os efeitos do carnaval irão continuar. Eis uma quaresma de caos!

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