Publicado em: 22/03/2018 11h43 - Atualizado em 23/03/2018 17h41

É ensinando que se aprende

"Quer aprender pra valer? Assuma o desafio de ensinar"
No início dos anos 2000, eu participei de duas Startups (empresas em fase inicial no mercado) em telecomunicações. Lembro-me que, na área de marketing e vendas, onde eu atuava, o ritmo era alucinante. A gente trabalhava dez, doze horas por dia. Trabalho aos finais de semana, então, era muito comum. A minha vida se resumia àquilo. Praticamente só convivia com pessoas do setor e só tinha um assunto a falar: telefone celular.
Um belo dia, num jantar com amigos, me dei conta de que eu estava "emburrecendo". Os papos na mesa eram ricos e diversos. Cinema, livros, teatro, as últimas notícias da política, entre outros. E eu ali, entrando mudo e saindo calado. De fato, eu não abri a boca durante aquela janta e me dei conta de uma coisa (terrível): eu só sabia falar sobre telefone celular.
Bom, fui para casa arrasado e pensando com meus botões. "O que posso fazer para resolver isso?". Depois de pensar bastante, cheguei à conclusão de que só havia uma forma de criar uma "obrigação" em mim em relação a me manter atualizado nesses temas. Como eu não gosto (e acho que ninguém gosta) de passar vergonha, decidi que iria iniciar uma carreira acadêmica em uma escola de negócios. O meu raciocínio era o seguinte: "Se eu entrar numa sala de aula e não estiver 100% atualizado com os temas mais atuais e relevantes, vou ter problemas". Faz sentido para você? Para mim, fez todo sentido. Eu precisava criar uma situação de pressão sobre mim mesmo, para garantir que eu iria mudar de postura e abandonar aquela vida vivida em uma bolha. E assim o fiz, criando uma nova carreira da qual nunca mais saí.
Recentemente, nas minhas sessões semanais com meu time, onde discutimos competências e planejamento de carreira, chegamos à competência técnica "comunicação". Uma de suas habilidades é "escrever corretamente". Alguns da equipe, assim como uma grande parte da população, têm dificuldades, por exemplo, com o uso da crase. Depois de discutirmos estratégias de desenvolvimento da competência, lancei o desafio. "Quem topa preparar e dar uma aula sobre crase?". Uma pessoa topou e assumiu o compromisso de fazê-lo na semana seguinte. Fizemos o mesmo para pontuação. A experiência foi muito bacana, tanto para os que foram presenteados com a "aula", quanto para os "professores" que assumiram o desafio de tentar ensinar algo que não dominavam.
Pois bem, hoje a minha provocação para você é neste sentido. Pense em alguma competência que gostaria de desenvolver. Que tal você criar um desafio onde você vai ter que ensinar isso para alguém? Que tal você se colocar, de forma espontânea e deliberada, em uma situação de risco e assumir o desafio? Já fiz isso, como contei anteriormente, e garanto que a experiência foi incrível. Vamos lá! Arrisca! Escolha uma pessoa que também não domine essa competência e a eleja como "seu aluno". Começando assim, o risco será menor. Mas se você, assim como eu, quiser colocar a sua reputação em xeque e correr mais risco, talvez a minha "loucura" possa lhe inspirar.
Não importa o grau de risco que lhe apeteça. O importante é você perceber que não há estratégia melhor para aprender algo do que tentar ensinar. Pode testar e depois me conte o resultado. Até o próximo!

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