Publicado em: 12/04/2018 17h44 - Atualizado em 13/04/2018 17h38

Enfermeira que perdeu parte do braço é exemplo de superação

Fé e apoio familiar foram essenciais no retorno à vida cotidiana

Adriana Brumer Lourencini
Werner Münchow Romilda: "Aceito tudo isso muito bem e nunca tive vergonha por ter amputado o braço"
Romilda Maria da Silva Duraes tem 58 anos, é enfermeira e vive no distrito de Cardeal. Ela poderia ter uma vida comum, como tantas mulheres que trabalham dentro e fora de casa, porém, no dia 17 de fevereiro de 2014, ela viu sua vida se transformar completamente, depois de perder parte do braço esquerdo em um acidente de trânsito.
"Eram por volta das 18 horas, eu ia para Itu, porque trabalhava lá como enfermeira; assim que saí do Maeda, na SP-75, vi quando o motorista de um Ford Ka se perdeu, entrou na pista e arremessou meu carro para o lado esquerdo", conta Romilda. "Capotei várias vezes e, segundo a pessoa que me ajudou, fui arremessada a 15 metros."
Na hora, ela perdeu a consciência, mas, assim que o carro parou, ela recobrou os sentidos. "Foi uma sensação muito triste,ver parte de meu braço arrancado; mas, logo em seguida agradeci a Deus por estar viva", relata. "Como eu perdia muito sangue, tive de ficar imóvel para evitar o choque; mas, um policial que vinha dirigindo atrás me ajudou, e logo acionou o resgate." Ela foi encaminhada ao hospital em Itu, onde passou por cirurgia e ficou seis dias internada.
"O baque veio no segundo dia, quando comecei a perguntar por que aquilo tinha acontecido comigo. Eu perguntei para Deus três vezes; chorava muito, e não entendia a amputação. Foi quando tive a primeira resposta, através de um texto da Bíblia: "Se um pai de família soubesse a que horas o ladrão viria para roubar e minar sua casa, ele vigiava - então, pensei, tinha de passar por isso", indagou Romilda.
Ela continuava sem compreender, e perguntou pela segunda vez. "Então, veio assim: 'vc poderia ter perdido as duas mãos', e eu disse, meu Deus, se uma já é difícil, ficar sem as duas seria mesmo pior. Mas, eu insisti, não entendia; de repente, me vi de novo no local do acidente e, ao invés da mão, era minha cabeça que estava decepada. Depois disso, não perguntei mais, e percebi a graça de Deus, que me manteve viva", declara.
Cotidiano
A vida de Romilda mudou completamente. Entre as atividades cotidianas mais comuns, ela fala que as trocas de roupas representavam os momentos mais difíceis. "Eu precisava de ajuda para me vestir, e tudo o que eu ia fazer acabava levando o braço esquerdo junto, era automático", comenta. "Tenho duas netas, de 11 e 14 anos, que moram comigo, e me ajudaram bastante, além dos meus três filhos, minhas irmãs e minha mãe, que moram próximo."
A enfermeira era casada na ocasião, porém, um ano e cinco meses após o acidente, o marido faleceu. "Ele nunca se conformou por eu ter perdido a mão. Meus filhos também, quando foram me ver no hospital lamentaram; mas eu disse a eles 'a mãe perdeu a mão, mas a mãe está aqui'", relembra Romilda.
Mesmo sem parte de seu corpo, ela decidiu que não seria uma pessoa triste. "Confiei em Deus e pedi a Ele forças para superar. Ainda em 2014, fui atrás para renovar minha carteira de motorista, porque não passava pela minha cabeça ficar parada por conta da perda da mão", destaca.
Quanto ao motorista que provocou o acidente, Romilda garante que nunca sentiu rancor. "Também agradeci a Deus por ele não ter se machucado e estar vivo. A única coisa que me entristeceu foi não ter conseguido conversar com ele. Lá na hora do BO, ele deixou telefone e se colocou à disposição, mas, quando liguei, não atendeu. Uma pena, porque eu não queria pedir nada a ele, apenas conversar. Ele também era um pai de família, trabalhador", argumenta Romilda.
Ela também teve de lidar com olhares, perguntas e comentários; contudo, conta que isso jamais a incomodou. "Aceito tudo isso muito bem e nunca tive vergonha por ter amputado o braço. Se as pessoas veem perguntar, eu falo, sem problema", assume. "Minha neta, de 14 anos, sempre foi minha companheira e sempre saiu comigo, e ela, sim, ficava muito incomodada com os olhares das pessoas; tive de trabalhar isso, e conversei bastante com ela."
Prótese
Hoje, Romilda ainda toma remédios para dor no braço amputado. "Sinto dores, e isso é comum. Inclusive, em meu trabalho de conclusão de curso fiz um artigo sobre dor no 'membro fantasma'. Isso existe, e eu usei a mim mesma como estudo de caso. Principalmente no começo, sentia dores terríveis e coceira entre os dedos da mão que não existia mais", ressalta.
Ela faz fisioterapias e se prepara para receber a prótese. "Eu não tenho como comprar uma prótese, que custa R$ 132 mil. Mas, a médica do SUS, em Indaiatuba, me encaminhou para Mogi Mirim, e estão resolvendo o problema de encaixe no meu braço; caso dê tudo certo, este ano já terei minha prótese", revela. "Enquanto isso vou fazendo a fisioterapia com o doutor José Orlando Martins, ali em Indaiatuba, e tenho o acompanhamento da médica."
Romilda é assídua nos cultos da Assembleia de Deus, lê a Bíblia e faz suas orações diariamente. Indagada se pretende se casar novamente, ela fala que não descarta a possibilidade. "Ainda não encontrei ninguém, mas ficar sozinha é ruim", resume.
A enfermeira conclui sua história deixando a seguinte mensagem: "Não importa o que lhe aconteceu, nunca se revolte e agradeça sempre a Deus. Peça o auxílio dele e pode ter a certeza de que virá."

Veja Também:

Comentar


Mais lidas
Vídeos
Filmes em cartaz
  • RAMPAGE: DESTRUIÇÃO TOTAL
  • UM LUGAR SILENCIOSO
  • COM AMOR, SIMON
  • ASSISTA MULHERES - MUDBOUND: LÁGRIMAS SOBRE O MISSISSIPI
  • CINECLUBE - PROJETO FLÓRIDA
  • JOGADOR Nº1
  • NADA A PERDER
  • O HOMEM DAS CAVERNAS
  • PEDRO COELHO
  • CÍRCULO DE FOGO: A REVOLTA
  • OS FAROFEIROS
  • PANTERA NEGRA