Publicado em: 13/04/2018 10h21 - Atualizado em 13/04/2018 17h37

Passageiras acusam motorista de ônibus por agressões e homofobia

Adriana Brumer Lourencini
Um caso de agressão em ônibus municipal repercutiu nas redes sociais esta semana. De acordo com relato da mãe da vítima, uma jovem de 19 anos, a garota foi verbal e fisicamente agredida por um motorista da SOU Indaiatuba. Ela também o acusou de homofobia.
Tudo começou quando Beatriz e a namorada subiram no veículo da Sancetur, linha 1859, no Jardim Oliveira Camargo. Segundo a garota informou [conforme registrado em Termo  Circunstanciado (TC), na Delegacia de Defesa da Mulher (DDM)], elas tinham a intenção de descer nas proximidades de um supermercado, na Avenida Fábio Barnabé. O motorista, porém, seguiu direto e parou somente no Jardim Morada do Sol.
Então, as meninas perguntaram se o ônibus passaria novamente pelo supermercado, na viagem de retorno, ao que o condutor respondeu que não. A jovem afirmou, na DDM, que a resposta dele foi em "tom arrogante". Em seguida, as passageiras pagaram novamente as passagens (com o cartão), já que teriam de voltar, e desceram do coletivo. Todavia, antes questionaram o nome do motorista.
Neste momento, então, elas disseram que o condutor se alterou, respondendo que, caso tivessem queixa, que a fizessem diretamente na empresa. Na sequência, elas alegam que ele começou a agredi-las com socos, sendo que Beatriz foi atingida no olho. A namorada dela, Carmem, salientou que um dos murros chegou a quebrar seu dente.
Além das agressões físicas, elas declararam que o motorista da SOU lhes dirigiu vários xingamentos, até fazendo referência à sua condição homossexual; "(...) vocês não são mulheres, já que vocês são um casal deveriam apanhar igual homem", conforme consta no TC.
Indignação
Elaine Rita Petenão, mãe de Beatriz, escreveu em seu perfil no Facebook: "Um motorista (...) agrediu minha filha e sua esposa. Primeiro alegou que elas não queriam pagar passagem. (...) Ficou claro que foi um caso de homofobia pois ela pagou as passagens (...)". As mesmas declarações foram feitas pela mãe da jovem ao repórter-fotográfico da Tribuna, na ocasião do registro do TC.
A garota agredida, por sua vez, postou na página da Tribuna: (...) quando o motorista chegou em seu ponto final, disse que teríamos que pagar a passagem novamente caso quiséssemos continuar a viagem, porém, já veio nos tratando de forma grosseria (...)então descemos, passamos o cartão novamente e quando me sentei no banco o motorista ainda estava discutindo com minha esposa, deixando bem claro que não seguiria a viagem caso estivéssemos no ônibus, sendo que já havíamos pago (...). A discussão começou pois pedimos o nome dele somente para que fizéssemos uma reclamação pela forma como foi falado conosco (...) momento do qual o motorista pulou a catraca (...) e pegando minha esposa pela camiseta, eu (...) entrei na frente e foi quando ele começou a me agredir (...) em momento algum a empresa entrou em contato comigo, com minha esposa ou com algum familiar nos prestando auxilio (...)".
Demissão
A Tribuna tentou entrar em contato com o motorista, por meio da assessoria de comunicação da Sancetur. Após inúmeras tentativas, não obteve retorno. No boletim de ocorrência consta declaração dele confirmando que as passageiras embarcaram no Jardim Oliveira Camargo. Ele relatou que elas não perguntaram nada em relação à parada do ônibus, e que houve a discussão no ponto final. Ele, então, disse que pediu para que elas descessem, quando investiram contra sua pessoa "com violência física". O motorista declarou, ainda, que se defendeu "desferindo contra elas golpes com socos". O TC informa ainda que ele não apresentava lesões.
Em nota, a SOU Indaiatuba declarou estar ciente do incidente ocorrido no dia 10 de abril de 2018, envolvendo um de seus motoristas. "Esclarecemos que a empresa repudia qualquer tipo de hostilidade. Temos a convicção de que se trata de caso isolado e que não corresponde aos padrões de conduta que exigimos de nossos colaboradores. O motorista em questão foi demitido imediatamente por justa causa e a empresa se dispôs a prestar a necessária assistência às passageiras que teriam sido vítimas da mencionada hostilidade. A SOU Indaiatuba é a favor da diversidade étnica, social e de gênero e repudia totalmente qualquer tipo de preconceito ou discriminação."

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