Publicado em: 13/04/2018 12h19 - Atualizado em 13/04/2018 17h37

Polícia prende golpista que agia há 20 anos

Ele se dizia da Receita e prometia arrematar veículos em leilões; só em Indaiatuba, há sete inquéritos

Adriana Brumer Lourencini
Werner Münchow Um dos carros importados apreendidos na casa alugada
A Polícia Civil prendeu um homem de 43 anos acusado de aplicar golpes em Indaiatuba e região desde o final dos anos 90. Segundo o delegado Luiz Fernando Dias de Oliveira, só no Município há sete inquéritos contra ele, que se dizia agente ou filho de agente da Receita Federal; outras vezes, alegava ser músico.
"Ele tinha condições facilitadas de adquirir produtos eletrônicos, joias e, principalmente, veículos que seriam objeto de leilão no órgão federal", esclarece o delegado. Durante revista em imóvel alugado de alto padrão, na Vila Suíça, a polícia encontrou dois carros importados - um Audi e uma Mercedes-Benz, avaliados em R$ 60 mil e R$ 70 mil, respectivamente - e que não estavam no nome do falsário. "Encontramos também carimbos de cartórios de notas, provavelmente para falsificar reconhecimentos de firmas e procurações", informa o delegado. "Nem mesmo a locação do imóvel foi feita em nome dele - o proprietário da casa descobriu, por acaso, que a pessoa residente não era a mesma cujo nome estava no contrato de aluguel."
Segundo Oliveira, o indiciado recebia imagens pelo celular. "Ele sempre recebia fotos de veículos no celular - provavelmente de algum comparsa, o qual estamos investigando - e enviava às vítimas, dizendo o valor e afirmando que poderia conseguir a um custo bem menor. Daí ele falava que precisava de uma soma de entrada, onde, então, aplicava o golpe."
O "modus operandi" era sempre o mesmo, conforme aponta o delegado. "Assim que recebia a quantia, protelava a entrega do veículo, e só depois que a vítima desconfiava ter caído em um golpe e vinha à delegacia para registrar a ocorrência", explica Oliveira. "Ficou bem evidenciado que havia ainda um sem número de pessoas que ainda iriam cair no golpe dele."
Fraude
Indagado pela Tribuna sobre a possibilidade das vítimas identificarem o golpe antes de caírem, o policial civil comenta que até poderia, mas não é tão simples. "O delito de estelionato se configura desta forma, pelo emprego do ardil, da fraude, a ponto de conseguir ludibriar; a partir do momento em que ele conseguiu adquirir a confiança da vítima, já terá praticamente meio caminho andado", argumenta Oliveira.
O delegado também esclarece que a responsabilidade não pode ser atribuída às vítimas. "Há casos em que é patente, mas, pelo que temos apurado a conversa dele era muito convincente; o indivíduo até exibia veículos de luxo em sua garagem, oferecia referências na cidade, as quais, inclusive, confirmavam a aquisição dos objetos dessa forma. Diante de tantas histórias de sucesso, as pessoas acreditavam, sem fazer qualquer tipo de checagem."
"A Mercedes-Benz na garagem dele, por exemplo, estava financiada, com a primeira parcela a vencer no mês de abril, mas, está em nome de um terceiro, o qual ele alegou ser um amigo", prossegue Oliveira. "Este pode ter sido mais uma vítima do engodo, o que a gente vai procurar saber."
A polícia também apreendeu na residência da Vila Suíça documentos em nome de outra pessoa. "Esta vítima registrou o boletim de ocorrência no dia seguinte à prisão, ou seja, o estelionatário já estava de posse desses documentos (cartões e extratos bancários), e provavelmente iria aplicar o golpe", pondera o delegado.
O mandado de busca e a prisão foram efetuados simultaneamente, na última segunda-feira (9), e ele foi encaminhado para Hortolândia. "Ele morava com uma jovem de 18 anos. Essa companheira dele aparece em algumas investigações, ora como filha, ora como esposa, e indicava a conta bancária dela para que as pessoas fizessem os depósitos", conta.
"Ele nunca recebeu nada em conta própria, não passava recibo de nada, e jamais teria qualquer prejuízo. Até o imóvel onde ele morava é objeto de investigação. Ouvimos a locatária da residência, que afirmou, em depoimento, desconhecer o golpista, e que tampouco sabia que seu nome figurava como locatária. Então, apreendemos o contrato original para perícia gráfica e vamos checar também qual a participação da imobiliária que intermediou o negócio", justifica.
Este foi o segundo pedido de prisão preventiva, mas as práticas de estelionato remontam a 1997. "Ele se dizia músico, mas na casa dele não apreendemos uma paleta de guitarra", salienta Oliveira. "O primeiro pedido, mesmo com os indícios, foi deferido. Juntamos mais evidências e conseguimos prendê-lo. Esperamos que ele permaneça preso até o término das investigações."
O delegado acredita que haja mais vítimas, tendo em vista as  que ainda não registraram BO. Para evitar golpes desse tipo, Oliveira orienta atenção, especialmente aos valores dos itens. "Desconfie de ofertas muito tentadoras, preços abaixo do mercado", alerta. "A Receita Federal faz leilões, e estes estão disponíveis no meio eletrônico. Cheque datas e locais desses leilões antecipadamente."

Comerciante perdeu R$ 9 mil

O comerciante Osvaldo Alves de Carvalho, de 60 anos, foi uma das vítimas do golpista. Ele lamenta não ter percebido o engodo. "Não sei como, mas ele descobriu que eu queria comprar uma caminhonete", lembra. "Contou uma história, mencionou conhecidos e prometeu a entrega em cinco dias."
Osvaldo conta que o golpe foi aplicado em fevereiro do ano passado. "Tenho uma loja de móveis e ele adquiriu algumas peças, que custaram R$ 6,5 mil. Daí ele me ofereceu a caminhonete como parte do pagamento, mas me pediu R$ 2,5 mil para documentos e guincho", lembra. "Nem desconfiei, porque já havia vendido muito nesse bairro e só conheci gente boa ali."
"Esperei pelo carro, mas ele só enrolava e não atendia minhas chamadas. Fui fazer o BO, depois de dois meses, mas como ele tinha endereço fixo, nãoconsegui. No fim, amarguei a perda de R$ 9 mil. Não acredito que possa reaver os móveis vendidos. Restou só a sensação triste do engodo - a gente trabalha de domingo a domingo, deixa de sair para economizar, para acontecer isso depois", lamenta.

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