Publicado em: 05/04/2018 15h37 - Atualizado em 06/04/2018 16h41

Memórias e muita pesquisa se misturam para compor a obra

Antonio Reginaldo Geiss revela que não queria uma biografia e Eliana conta como chegou ao texto final

Fábio Alexandre
Werner Münchow Foto da capa traz estabelecimento comercial do bisavô de Geiss, primeira obra de alvenaria da cidade
Antonio Reginaldo Geiss recorda um pedido especial feito à Eliana Belo Silva. "Quando ela me contou o que queria para o livro, deixe bem claro: não quero uma biografia", enfatiza. "Biografias são mentirosas, de maneira geral, e não sei mentir. Por isso, o livro traz apenas verdades. Sou assim". A autora lembra um momento emblemático do processo de construção da obra. "Foi quando me contou a sua memória mais antiga, que envolvia a Revolução de 32. Sua mãe contratou um alfaiate para fazer uma fantasia de soldadinho para ele, com um bonezinho, que se chamava bibi. Para ele e Odilon Ferreira", recorda.
Foi então que surgiu a ideia de contar um pouco mais sobre a Revolução Constitucionalista de 1932. "Existem dois tipos de memória: uma que você vivenciou e outra que você ouviu dizer. Geiss me contou que seu bisavô fez um pronunciamento no velório do Voluntário João dos Santos (João Pereira dos Santos), mas pouco se lembra disso", aponta Eliana. "Nesta altura da pesquisa, a Biblioteca Nacional não estava on-line, então fui para o Rio de Janeiro e encontrei muito material, entre eles, referência do pronunciamento".
Neste momento, Eliana desenhou a linguagem de sua obra. "Se trata de uma intersecção entre as memórias do Geiss e fatos pesquisados em outras fontes. Biografia e memória estão no livro, mas de maneira contextualizada. Ao final, o livro se tornou objeto de pesquisa", ressalta. A cada capítulo finalizado, a autora passava o texto para Geiss. "Ele lia três vezes e lembrava mais detalhes, que acrescentávamos".
Traumas
Eliana lembra que, em dois momentos, "baixou a guarda" de historiadora. "Em certos capítulos, trato de alguns traumas vividos por Geiss. Ele tem muito medo de água e guarda na memória dois momentos tristes para a cidade", lembra. Os dois envolvem incêndios. O primeiro, registrado em 1937, ocorreu na loja Secos e Molhados, de Francisco Bozelli. O segundo, em 1945, envolvendo a Fábrica Mazzoni, que produzia cabos para guarda-chuva.
Para Eliana, o livro agradará a todos. "Quem conhece o Geiss e sua paixão pela história de Indaiatuba, vai adorar. Quem não conhece, terá acesso a um personagem que é parte de uma história riquíssima", analisa. Para Geiss, o livro é a última parte de um capítulo da sua vida. "Fiz muita coisa por Indaiatuba e meu último legado é esse livro, com o qual encerro esta parte da minha vida, com a sensação de dever cumprido", ressalta.
Eliana Belo Silva é historiadora e pedagoga especialista em Gestão Escolar. Há mais de 30 anos estuda a história de Indaiatuba, tendo iniciado pelas memórias de sua família, sendo que é neta e filha de indaiatubanos. Antonio Reginaldo Geiss recebeu o Título de Cidadão Benemérito "Dr. Caio da Costa Sampaio" em 2011 e possui um currículo extenso de realizações que envolvem ainda a fundação da Federação das Entidades Assistenciais de Indaiatuba (Feai) e intenso trabalho no Rotary Club de Indaiatuba, onde ingressou em 1960.
História de Indaiatuba na Perspectiva Biográfica de Antonio Reginaldo Geiss tem 456 páginas, divididas em 27 capítulos, e traz fotos do acervo pessoal de Geiss, da Fundação Pró-Memória e da Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro. Impressa pela Gráfica e Editora Vitória, será vendida ao preço de R$ 50. A obra conta com apoio da Diclace, Visão Imóveis, Mil Máquinas, Rádio Jornal e NTI Equipamentos.

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