Publicado em: 11/04/2018 14h05 - Atualizado em 13/04/2018 16h56

Cinema e história (3)

Carlos Gustavo Nóbrega de Jesus é superintendente da Fundação Pró-Memória e doutor em História Cultural e Pesquisador da Unicamp/IFCH

Ao retratar o uso do cinema pela disciplina histórica, no artigo passado terminei salientando que se beneficiou do novo status que a imagem e a cultura visual ganharam na pesquisa histórica com alargamento de suas fronteiras. Nesse sentido, antes de mais nada deve-se concordar com Segundo Pierre Francastel (1983, p.3) no que se refere às imagens existe um "pensamento plástico", independente da linguagem escrita ou verbal, por isso acredita que uma obra "pode ter seu próprio texto".
Ou seja, defende uma linguagem autônoma do pensamento, na qual a imagem tem sua própria significação, o que contraria a ideia de que a obra de arte ou qualquer outra imagem, só possa ser vista como uma representação de um mundo visível. (Idem, p.68-69).
"Na base da leitura dos signos plásticos, como de qualquer outra leitura, encontram-se necessariamente a imaginação e a memória. Sem elas, não existe nenhuma forma de visão plástica (...) Só a imaginação pode tornar vivo um quadro ou um filme". (Francastel, 1983, p.167). Tais discussões que permeiam a História da Arte já a algum tempo também direcionam a discussão do uso da iconografia em pesquisas históricas.
No entanto, a querela está longe de ser resolvida. São várias as discussões nas quais ressalta-se a problemática do uso imagem na investigação historiográfica. Para Peter Burke (2004, p.50) o método iconográfico de Panofsky "tem sido criticado por ser intuitivo em demasia, muito especulativo para que nele possamos confiar (...).Nota-se, nesse sentido, a cautela que os historiadores têm diante do trabalho com tais fontes visuais, haja visto que a prática de utilizar a imagem como mera ilustração é ainda um problema a ser contornado dentro da seara histórica.
De acordo com as novos objetos e novas abordagens a iconografia deve ser vista como fonte histórica, pois, concorda-se que "(...) é certamente uma das fontes mais ricas, que traz embutida as escolhas do produtor e todo o contexto na qual foi concebida, idealizada, forjada ou inventada. Nesse aspecto, ela é uma fonte (...) e assim como as demais, tem de ser explorada com muito cuidado". (Paiva, 2002, p.17).
Para tanto deve-se historicizar a imagem, ou seja, ir além do óbvio e estar atento às suas diversas representações e aos seus silêncios, buscando pontuá-la no campo histórico que foi produzida, apropriada, consumida, ou seja, analisá-la a partir de um "contexto, incluindo as convenções artísticas (...) de um determinado lugar e tempo, bem como os interesses do artista, do patrocinador original ou do cliente.
(continua)

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