Publicado em: 30/05/2018 10h08 - Atualizado em 01/06/2018 16h33

Remake de drama mexicano conta com Leandro Hassum

Não se Aceitam Devoluções erra ao se apoiar demais no original

Fábio Alexandre
Divulgação Leandro Hassum vive um solteirão que precisa aprender a ser pai e acaba surpreendido
Primeiramente, quero deixar claro: sou um defensor do cinema nacional. Tento consumir o máximo de filmes, elogio quando se tem que elogiar, mas também falo "mal" quando é preciso falar. É incrível como nosso cinema, ao mesmo tempo em que evolui com filmes com identidade e conteúdo - como os recentes Tungstênio, de Heitor Dhalia, e Arábia, da dupla João Dumans e Affonso Uchoa - retroceda com filmes como Não Se Aceitam Devoluções.
Definitivamente, não há razão para a existência desta versão brasileira do original mexicano de 2013. Resta apenas uma tentativa vaga de 'abrasileirar' uma produção que não justifica sua própria existência. Não bastasse o esforço pífio na caracterização, com algumas bandeiras do Brasil na casa do personagem de Leandro Hassum, ainda temos o inglês e o portunhol utilizados por diversos personagens, resultando em um uso excessivo de legendas. Pode funcionar no México, aqui não.
Na história, Juca Valente (Hassum, de Até que a Sorte nos Separe) é um sedutordescompromissado que foge de casamentos, mas adora mulheres. Um dia, Brenda (a atriz cubana Laura Ramos, de Sangue Azul), sua ex-namorada, abandona a pequena Emma, ainda bebê, com ele. Desesperado, Juca viaja para os Estados Unidos atrás de Brenda com a esperança de lhe devolver a criança. Seu plano não dá certo e ele fica por lá, trabalhando como dublê. Quando a menina faz seis anos, a mãe reaparece para pedir a guarda da criança.
Se a intenção da produtora e do diretor André Moraes era passar a mensagem do filme mexicano à frente - como eles próprios disseram na coletiva da imprensa após a exibição do filme - que pelo menos houvesse certa originalidade na abordagem ou desenvolvimento da história, já que o filme se resume a ser uma cópia de diversas cenas e não me serve a desculpa de pendurar bandeiras do Brasil aqui e acolá no estúdio para tentar gerar certa identificação com o público brasileiro.
Ora, se o filme mexicano já possui a tal mensagem universal, qual a razão de se fazer um remake com a tentativa de "tropicalizar" (palavra que eles mesmos usaram) a história? É a banalização que Hollywood tanto faz e nosso cinema não precisa. Fora isso, decidi assistir ao original para criticar com mais veemência o humor e algumas escolhas deste aqui, e vejo que o problema já vem daquele filme. E como este remake se presta apenas a copiar praticamente tudo, sem originalidade alguma, as coisas ruins continuam.
Hassum está mal, não cola como ator dramático, e quando tenta aparecer com seu humor passa do ponto. Aliás, essa é a grande diferença entre o filme brasileiro e o mexicano: enquanto o ator e diretor Eugenio Derbez não tenta sobressair ao personagem, Hassum, com seus trejeitos de comediante, se utiliza de piadas fora de hora e caras e bocas que talvez funcionassem com o público do antigo Zorra Total.
Ao final, fica a nítida impressão de que Não Se Aceitam Devoluções é desnecessário e um atraso para o cinema nacional. Desperdício de tempo e dinheiro. Se ainda assim lhe interessar, assista o original produzido no México, Não Aceitamos Devoluções (2014), que bateu recordes de bilheteria por lá e se tornou o longa de língua espanhola que mais vendeu ingressos nos Estados Unidos. 
(colaborou Angelo Cordeiro)

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