Publicado em: 28/05/2018 15h22 - Atualizado em 01/06/2018 18h28

Falácias

Massimo Bincelli

Desde que mundo é mundo que as palavras são utilizadas para se expressar as várias situações do modus vivendi da humanidade, interferindo no seu modus operandi.
Situações onde se exigem palavras mais “duras” para se gerenciar melhor uma determinada situação ou palavras mais sutis e até amorosas para se chegar a um consenso pré-determinado.
Pois bem, as palavras têm um “peso” muito grande e expressivo ao serem utilizadas e irão dar um sentido diferente dependendo da maneira utilizada e, até o tom que se é aplicado.
Às vezes queremos dar um “tom mais sério” a determinada situação, então aplicamos um volume mais forte à frase; quando queremos amenizar uma situação, aplicamos um tom mais “leve”, e assim por diante.
Assim também quando se tem algum projeto de lei que terá que ser votado e, futuramente, aplicado para a população em geral.
Utilizam-se palavras pouco conhecidas da população, no seu dia-a-dia, abalroando os adjetivos, com expressões antagônicas, deturpando e escamoteando o verdadeiro sentido a que se pretende.
Prova disso são as leis que regem o nosso país, com verdadeiros absurdos e ambiguidades na sua formação, sempre com o intuito de protegerem a si próprios, os legisladores e sarapantando os juízes nas suas acepções da escrita em suas mãos.
Haja vista nos últimos anos, principalmente na etapa da lava-jato, onde os processos chegados às mãos dos juízes são abordados com as mais diversas interpretações, consumindo horas e horas para o seu desfecho e, ainda assim, dando margem a dúvidas.
Os magistrados, por sua vez, também se utilizam da posição que detêm para espargirem todos os seus conhecimentos da língua pátria e das leis colocando, então, o povo na linha da gnose em questão.
Temos, então, juízes que condenam e juízes que absolvem deixando, mais uma vez, o povo na berlinda, sem a devida cognição do assunto. Cria-se, assim, a injúria popular.
Vou citar uma situação onde há divergência de interpretação: foi promulgada há pouco tempo a “lei seca”, que proibia beber bebida alcoólica para quem fosse dirigir veículo. Pois bem, se o motorista fosse pego dirigindo alcoolizado “poderia ser preso”. Mas, colocaram um adendo que, se a pena se enquadrasse em menos de quatro anos o delegado poderia arbitrar uma fiança, a qual, sendo paga, o infrator pode ser posto em liberdade. Criou-se, assim, mais uma brecha para aquele que tem dinheiro.
Oras, me arremeto ao tempo e lembro do episódio dos 10 mandamentos: por exemplo, um deles diz: “não matarás”. É bem simples, não? Porém, as leis brasileiras estão cheias de artifícios: “você matou com faca ou revólver?”; a faca era de quantos centímetros?; era de cabo de madeira ou plástico? (para ironizar).
Ora, é simples o mandamento, não é? “não matarás”, não importa como. É só prestar atenção aos mandamentos. Assim têm que ser as leis: fáceis de interpretar e simples de cumprir. Para não cairmos nessas falácias que tanto atazanam os juízes e a sociedade em geral.
Massimo Bincelli é geógrafo e morador de Indaiatuba

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