Publicado em: 07/06/2018 17h18 - Atualizado em 08/06/2018 17h53

ONSV quer reduzir velocidade na SP-75

Observatório de segurança viária recorreu ao Ministério Público sugerindo a medida

Fábio Alexandre
Werner Münchow Vista da rodovia SP-75: 20 mortes de agosto de 2016 a abril de 2018 no trecho de Indaiatuba
O Observatório Nacional de Segurança Viária (ONSV) encaminhou ao Ministério Público de Indaiatuba na segunda-feira (4) ofício sugerindo a redução de velocidade na Rodovia Santos Dumont (SP-075), que corta o município. Ainda segundo a organização da sociedade civil de interesse público (Oscip), a Agência de Transporte do Estado de São Paulo (Artesp), a concessionária Colinas e Prefeitura receberam ofícios em 3 de março de 2017 e 24 de janeiro deste ano sugerindo os estudos e a redução da velocidade máxima permitida.
De acordo com a assessoria do Observatório, a SP-75 recebe inúmeros veículos em deslocamentos para o trabalho, estudo e lazer, passando de uma rodovia com aspecto rural para uma espécie de grande "avenida" que corta os municípios de Sorocaba, Itu, Salto, Indaiatuba e Campinas. O progresso, lembra a Oscip, veio acompanhado de mais pessoas em situação vulnerável a transitar a pé, bicicleta e motocicletas de baixa cilindrada, seja nos acostamentos ou em plena rodovia.Dados do InfoSiga, banco de dados de acidentes fatais do Estado de São Paulo, apontam que no período de agosto de 2016, início dos registros, até abril de 2018, vinte pessoas perderam a vida em acidentes no trecho de Indaiatuba. "Infelizmente, com mais pessoas a transitar, os números de acidentes passaram a aumentar, sendo em alguns casos fatais, ou mesmo com lesões graves ou permanentes nas vítimas. Notadamente no trecho localizado de Indaiatuba, é frequente o relato na imprensa de acidentes, seja ele com condutores/passageiros de automóveis, caminhões ou motocicletas", explica José Aurelio Ramalho, diretor-presidente do Observatório.
Para Ramalho, essa situação não pode perdurar. "Se acompanharmos as estatísticas do Seguro DPVAT (Danos Pessoais Causados por Veículos Automotores de Vias Terrestres), a cada pessoa morta no trânsito, aproximadamente outras dez pessoas ficam com sequelas permanentemente, tornando-se um grande custo para o município, que terá de arcar por anos com a reabilitação dos mesmos", aponta.
O Observatório destaca que, "apesar de inúmeros contatos para um retorno oficial dessas entidades, até o momento nenhuma resposta foi recebida, apenas a alegação pela imprensa de que a concessionária de rodovias tem adotado as medidas cabíveis para reduzir os riscos, assim como a Prefeitura também verbalmente recebeu a mesma informação, a qual representa que os limites atuais serão mantidos".
A Oscip lembra que a redução da velocidade já ocorre no trecho localizado no perímetro urbano da cidade de Campinas, em que o limite de velocidade máxima permitida é reduzido para 80 quilômetros por hora, "sendo um importante aliado na redução de acidentes e gravidade das lesões", destaca, apontando ainda que equipamentos medidores de velocidade do tipo fixo foram implantados na via, incentivando ainda mais o respeito ao limite regulamentado por parte do condutor.
"Temos certo que o pleito também é de interesse da administração municipal, pois já demonstrou isso, e seria ela uma das principais beneficiadas com a adoção da medida, haja vista que vidas serão preservadas, resultando em menos pessoas internadas nos hospitais e centros de reabilitação", reforça Ramalho.

Artesp e Colinas adotam medidas

A Artesp afirmou, por meio de sua assessoria de imprensa, que vem adotando medidas para reduzir os acidentes na rodovia SP-75 a partir de estudos e análises iniciados no segundo semestre do ano passado, em conjunto com a concessionária responsável, as prefeituras, a Polícia Militar Rodoviária e o Movimento Paulista de Segurança do Trânsito.
Como exemplo, destaca que "estão sendo realizadas simultaneamente blitz para verificar o consumo de álcool pelos motoristas dentro do município e na rodovia, uma vez que as análises dos acidentes com fatalidade apontou concentração de ocorrências no período noturno, nos finais de semana, e com a presença de consumo de álcool pelos envolvidos".
A Artesp complementa afirmando que "os estudos apontaram, ainda, que os limites de velocidade não estão sendo respeitados pelos motoristas. Assim, antes de qualquer redução do limite de velocidade, a Artesp e a concessionária estão realizando novas avaliações para implantação de um plano de ação para melhorar a fiscalização dos limites de velocidade. Também está sendo feito um estudo geométrico de forma a verificar se há algum ponto ou segmento onde a velocidade regulamentada seja incompatível com as características físicas da rodovia".
Concessionária
Em nota enviada à Tribuna, a AB Colinas informa "que tem conhecimento da intenção de redução de velocidade do trecho de Indaiatuba da SP-75 pelo Observatório Nacional de Segurança Viária. A atual velocidade permitida está de acordo com o estabelecido em normas e padrões rodoviários e a rodovia possui sinalização informando o limite máximo permitido. Mesmo assim, está sendo realizado pela concessionária um estudo para avaliação da velocidade, que será submetido para apreciação da Artesp".
Aponta ainda que, "por meio de dados já consolidados pela AB Colinas a respeito de acidentes, foi constatado que o fator humano é determinante para as ocorrências deste tipo. Por isso, em parceria com a concessionária, a Polícia Militar Rodoviária intensificou ações de fiscalização no trecho de Indaiatuba, Salto e Campinas, com ações de blitzes de alcoolemia, em cooperação com as secretarias municipais de trânsito das cidades. Por fim, o DER (Departamento de Estradas e Rodagem) e o policiamento rodoviário também aumentaram o controle de velocidade, com maior presença de radares móveis no trecho".
Além disso, no âmbito da conscientização, a concessionária afirma ter intensificado as ações de segurança na SP-75, com campanhas que visam a educação e conscientização para o trânsito e envolveram mais de 4,5 mil pessoas nas 52 ações realizadas em 2017 em toda a rodovia, atendendo ciclistas, motociclistas, pedestres, caminhoneiros e motoristas em geral. Todas as iniciativas citadas, informa a Colinas, contribuíram para que o número de mortos da SP-75 apresentasse redução de 35% de 2016 para 2017. "Em 2018, a AB Colinas, com o objetivo de dar continuidade à redução, está dando seguimento aos trabalhos que já vêm sendo realizados", completa.

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