Publicado em: 08/06/2018 14h38 - Atualizado em 08/06/2018 14h50

Greve afetou abastecimentos e gerou aumentos de preços

Gás de cozinha: consumidores devem pesquisar antes da compra

Adriana Brumer Lourencini
Werner Münchow GLP: valores flutuam entre R$ 70 e R$ 80, conforme fatores como entrega e marcas
A recente greve dos caminhoneiros causou muitos impactos econômicos no País. Além da crise nos abastecimentos de combustíveis, o gás de cozinha também desapareceu das distribuidoras. Os preços de alimentos também subiram após o fim da paralisação.
O preço médio da gasolina (comum) em Indaiatuba está na média de R$ 4,50/litro; já o etanol (álcool), está em torno de R$ 2,90/litro (na semana passada, durante a escassez nos postos, chegou a mais de R$ 3). O gás de cozinha (GLP) também está com preço maior, segundo os consumidores. Os preços variam entre R$ 70 e R$ 80, conforme fatores como entrega e marcas.
O SindiGás reitera que os preços são livres e não sujeitos a tabelamento, cabendo, assim, ao consumidor pesquisar antes da compra. Já o abastecimento do GLP é de responsabilidade da Agência Nacional do Petróleo (ANP), que também regula as atividades que integram as indústrias de petróleo, gás natural e biocombustíveis no Brasil. De acordo com a entidade, o abastecimento será normalizado dentro de uma semana.
Consulta pública
Em nota, a ANP divulgou que fará, a partir da próxima semana, uma consulta à sociedade sobre a periodicidade do repasse dos reajustes de preços de combustíveis. A diretoria aprovou, por unanimidade, a realização de uma Tomada Pública de Contribuições (TPC), prevista para ocorrer entre 11 de junho e 2 de julho de 2018. Trata-se de um instrumento que tem o objetivo de tornar público o tema e colher sugestões da sociedade.
A TPC é aberta a órgãos e entidades dos poderes da União, dos estados, do Distrito Federal e dos municípios, ao mercado petrolífero, consumidores, segmentos técnicos e ao público interessado. Serão coletados dados, informações e evidências que contribuam para a elaboração de resolução sobre o período mínimo para o repasse ao consumidor dos reajustes dos preços dos combustíveis. Os interessados em participar deverão fazê-lo a partir do próximo dia 11 (segunda-feira), por meio de formulário eletrônico disponível no portal da ANP.
“Só há uma forma de garantir que os preços dos combustíveis oferecidos ao consumidor sejam os mais justos e adequados. Quando são estabelecidos em um mercado aberto, diversificado e competitivo”, declarou Décio Oddone, diretor-geral da ANP. “Em alguns países a tributação é utilizada para contrapor as variações dos preços do petróleo, suavizando o repasse da volatilidade para o consumidor final. Assim, solução estrutural para a volatilidade no preço dos combustíveis só virá com o aumento da competição no setor de refino ou com alguma alteração na tributação.”
Oddone também ressaltou que o fato das importações não terem relevância na formação de preços no mercado nacional, o que ocasionaria maior competitividade (no refino e abastecimento), “é necessário que o programa de desinvestimentos e parcerias das refinarias da Petrobras anunciado em abril seja concluído”.

Consequências econômicas ainda são imprevisíveis

O professor e cientista político do Mackenzie, Rodrigo Prando, alerta: “Desconfiem daqueles que dizem por aí que já sabiam o que ia acontecer. Ninguém poderia prever a dimensão da greve; isso não significa que o governo deveria se manter em posição reativa”.
Segundo ele, Temer desprezou as questões do cotidiano nacional ao atender a todas as reivindicações dos caminhoneiros. “Em pouco tempo já teremos a ideia do ‘nocaute’. O presidente foi à mesa e não discutiu as demandas – simplesmente atendeu. Quando os caminhoneiros resolveram continuar o movimento, ele, então, endureceu. O certo seria negociar antes”, aponta.
Prando também não acredita que o presidente caia. “Não há sentido em tira-lo a pouco mais de 4 meses das eleições. Além disso, não há deputados ou senadores querendo assumir o cargo – estão preocupados em se reelegerem. O período mais adequado para tirar o presidente foi quando surgiram as denúncias contra ele”, destaca.
Sobre a tomada do poder pelos militares, o professor descarta. “Eles mesmos não têm interesse nisso. O fato é que temos uma cultura que gosta de força, hierarquia e ordem; tanto que o Bolsonaro tem a preferência dessa parcela da população que compra a ideia de autoridade”, observa. “A saída deve ser sempre pela democracia, o diálogo, argumento.”
Oportunismo
Em relação à greve dos petroleiros, Prando afirma que a iniciativa teve cunho político. “Foi um ato considerado ilegal; eles não tinham demandas e pediam apenas a demissão de Pedro Parente, o que acabou ocorrendo, partindo, inclusive, do próprio. Vale lembrar que aqueles que se serviram da Petrobras como palanque querem mesmo é sua destruição. O diesel mais barato é a população quem vai bancar; e o oportunismo político colocou a perder a reivindicação legítima dos caminhoneiros”, considera.
“Isso tudo serviu para observarmos o comportamento da sociedade em períodos de crise: não houve patriotismo, solidariedade, civismo. Cada um deve se questionar de que forma contribui para acabar com a corrupção. Democracia é acompanhar os mandatos, e a maioria dos políticos está lá pela legitimidade do voto popular – ou a sociedade opta pelo respeito à lei e escolhe melhor seus representantes, ou irá pagar um alto preço, como o que estamos vendo agora”, conclui Prando.

Veja Também:

Comentar


Mais lidas
Filmes em cartaz
  • OITO MULHERES E UM SEGREDO
  • NO OLHO DO FURACÃO
  • OS ESTRANHOS: CAÇADA NOTURNA
  • CINECLUBE - ELLA E JOHN
  • NÃO SE ACEITAM DEVOLUÇÕES
  • GNOMEU E JULIETA: O MISTÉRIO DO JARDIM
  • EU SÓ POSSO IMAGINAR
  • PARAÍSO PERDIDO
  • HAN SOLO: UMA HISTÓRIA STAR WARS
  • DEADPOOL 2
  • VINGADORES: GUERRA INFINITA