Publicado em: 26/06/2018 16h28 - Atualizado em 29/06/2018 16h27

Cinema: cultura, história e educação

Carlos Gustavo Nóbrega de Jesus é superintendente da Fundação Pró-Memória e doutor em História Cultural e Pesquisador da Unicamp/IFCH

Nos últimos meses, ocupei esse espaço apresentando discussões a respeito de como o cinema pode ser um documento relevante para entender uma determinada época, podendo até mesmo ser um instrumento construtor da realidade. De forma não tão teórica, em Indaiatuba a iniciativa de Paulo Celso Lui, Antonio da Cunha Penna e Marcos Kimura no projeto do Cineclube do Topázio Cinemas acaba trazendo tal discussão por outras vias para a cidade.
Um projeto consolidado que, por meio dos debates após a apresentação dos filmes - a maioria fora do circuito comercial -, possibilita que a população não só assista filmes que dificilmente seriam exibidos na região, mas, por meio de leituras de especialistas ou de interessados, faz com que se una entretenimento, conhecimento, crítica e cultura na sala de cinema. Pegando carona em tal experiência bem-sucedida, nós da Fundação também há anos ensaiamos um projeto que una cinema e história. Nesse sentido, provavelmente nesse semestre ou no outro traremos novidades.
A partir dessa semana, para não perder o fio da meada da discussão entre cinema e história, gostaria de compartilhar com os leitores minha experiência na formação de futuros historiadores, quando desde 2014 montei um curso que busca estudar o século XX, utilizando o cinema como fonte histórica. Nesse caso, o objetivo do curso além de ser teórico é também instrumental, pois busca ensinar tanto o uso da fonte na pesquisa como na sala aula, para os futuros historiadores-professores.
Já tenho notícias de algumas experiências muito felizes de parte de ex-alunos que estão utilizando o cinema na sala de aula para contextualizar, de forma problematizadora, sua prática de ensino. Claramente há resistências a partir de visões mais conservadoras ou desconhecedoras da já ampla discussão teórica do uso do cinema como fonte histórica. Por outro lado, há o engessamento das apostilas de alguns cursos preparatórios que, muitas vezes, impossibilitam ou limitam o uso de novas tecnologias, abreviando e contribuindo para o empobrecimento da aula.
Além disso, há ainda o caso de alguns professores que utilizam o filme ou cinema como um mero complemento ilustrativo de suas aulas. Mas, é claro que cada vez mais há a necessidade de utilização não só do cinema, mas das imagens na nossa prática docente, pois não tem como ignorar que as novas gerações estão chegando à sala de aula com uma familiaridade muito maior na leitura de imagens do que no texto escrito. Situação que ao invés de lamentarmos devemos aproveitar, inclusive para, a partir da imagem, estabelecer o gosto pela cultura, pela leitura e pelo conhecimento.
Nesse sentido, a partir da próxima coluna vou apresentar comentários de alguns filmes que marcaram nossa História para propor uma discussão a respeito de alguns acontecimentos do nosso "breve século XX", como dizia Eric Hosbawm.

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