Publicado em: 05/07/2018 16h27 - Atualizado em 10/07/2018 11h06

Defesa Civil alerta sobre clima seco e queimadas

Umidade do ar é baixa; Saae garante que fornecimento de água está garantido

Adriana Brumer Lourencini
Este ano, o período de seca mais intensa, que normalmente tem início em julho, começou mais cedo, há cerca de dois meses. A falta de chuva gera situação de baixa umidade do ar, a qual, por sua vez, é agravada por ações humanas, como as queimadas. O município decretou situação de alerta há 15 dias.
De acordo com o diretor da Defesa Civil de Indaiatuba, Paulo César Feijão, os focos de incêndio têm aumentado nesta época. Boa parte das ocorrências se origina da prática de eliminar o matagal dos terrenos ateando fogo. "Até o momento, registramos 25 pontos de queimadas, especialmente na Zona Sul", comenta.
Feijão também aponta um erro frequente que compromete o meio ambiente. "Fazemos um trabalho constante de combate a incêndios na cidade", explica.
"Estava passando em frente à Max Planck na últimaquarta-feira e estava uma fumaça insuportável - parecia até neblina de tão densa. Havia vários focos de incêndio no terreno ao lado do cemitério dos Indaiás; as pessoas não têm consciência ambiental, nem respeito pelos outros", lamenta Janaína Dimas. "Penso em quem mora por ali; só de passar pela rua minhas roupas ficaram empestadas com o cheiro da fumaça."
"Esta é uma problemática cultural, já que é mais fácil atear fogo do que capinar o terreno, que é o ideal", observa Feijão.
Conforme a Lei municipal nº 3162/94, e o Decreto nº 6047/97, quem efetuar queimadas estará sujeito a multas de R$ 100 a R$ 1 mil, de acordo com a extensão dos danos ao meio ambiente.
Boletins
Segundo a assessoria da Segurança Pública, a orientação é para evitar a prática de exercícios físicos ao ar livre, especialmente à tarde.
Os recentes boletins divulgados pelo IPMet/Unesp apontam que os radares meteorológicos, instalados em Bauru e Presidente Prudente, não estão detectando chuva no estado de São Paulo, nem nas demais áreas de cobertura.
A meteorologista Rita de Cássia César Moreira de Cerqueira, observa que uma massa de ar seco atua sobre o Estado, mantendo o tempo estável, sem previsão de chuvas e baixa umidade do ar, com temperaturas em elevação.
Hoje e amanhã, o quadro não altera e os termômetros acusam temperatura acima da média para a estação. Já na segunda-feira e na terça-feira, dias 9 e 10, haverá aumento da nebulosidade e ocorrências de chuvas isoladas na região sul e na faixa leste paulista, devido à passagem de uma nova frente fria pelo oceano, próximo ao litoral. As temperaturas entram em declínio.
De acordo com o índice pluviométrico do Serviço Autônomo de Água e Esgoto (Saae), localizado na Estação de Tratamento no bairro Pimenta (ETA III), o volume de chuva em junho foi de 22,30 milímetros (mm). O último dia de chuva em Indaiatuba ocorreu em 13 de junho, totalizando 18,40 mm. Assim, hoje completam 24 dias de seca na cidade.
Mesmo assim, o resultado não foi pior do que no mesmo mês em 2014, que foi de apenas 0,90 mm. Os dados apontam ainda que em 2018 o mês mais seco foi maio, com 10,80 mm.
Em resposta à Tribuna, o Saae destacou que, embora estejamos há dias sem chuva significativa, o fornecimento de água está garantido no município. Os mananciais estão naturalmente com nível mais baixo por conta da estiagem.
Entretanto, as obras da autarquia, como a construção da barragem do Capivari-Mirim, que hoje está com 80% da capacidade de reservação; a ampliação do sistema e a reclassificação do rio Jundiaí possibilitam certa tranquilidade para o abastecimento em Indaiatuba, que segue sem risco de racionamento. O Saae frisa que a população deve utilizar a água de forma consciente e sem desperdícios.
O pluviômetro oficial, na ETA-III, mede o volume de chuva a cada 24 horas; cada milímetro corresponde a um litro de água por metro quadrado e a coleta é realizada todos os dias, às 7h.

Médico orienta para cuidados em clima seco

Em situações de seca extrema ou fumaça densa de queimadas, o médico nefrologista Fabrício Milani, coordenador da UTI do Hospital Augusto de Oliveira Camargo (Haoc), oferece algumas orientações para minimizar os problemas.
“Em locais com muita fumaça tentar evitar ficar perto; mas, se não der para se afastar, use uma máscara ou, então, um lenço úmido no rosto para filtrar a passagem de ar. Mas o ideal é não ficar próximo”, indica Milani.
Ele fala que, durante esses dias, quanto mais se hidratar melhor. “Nesta fase em que o ambiente está muito seco, o ideal é se hidratar a cada 15/20 minutos com três goles de água. O motivo é que no ambiente seco nosso corpo perde muita água durante a respiração, então fazendo isso consegue amenizar essa situação e manter o corpo hidratado”, prossegue o médico.
Crianças pequenas e idosos têm ciclo parecido, pois perdem muita água durante a respiração. “A criança porque respira mais rápido e tem batimento cardíaco também mais acelerado. O idoso que se movimenta pouco e vai buscar menos água, desidrata muito rápido. Portanto, o controle é hidratação - não pode deixar que as crianças e idosos tomem água apenas quando têm sede, e sim, oferecer água o tempo todo, pois, são faixas etárias que desidratam mesmo”, salienta.
Por fim, Milani lista os principais problemas de saúde agravados por pelo tempo muito seco: “são as rinites, sinusites, faringites, porque secam as vias aéreas e acabam inflamando a mucosa. Quem já é bronquítico ou asmático tende a ter uma reação maior, principalmente, se além do tempo seco, vier uma frente fria, o que é pior ainda”, conclui.

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